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Único ponto de contacto do veículo com o solo, os pneus estão ligados ao chassis através da suspensão. Existem numerosos tipos de suspensão, mas na Formula 1 a suspensão é do tipo de 4 rodas independentes, isto é, cada roda está ligada ao chassis por braços próprios, não interferindo o seu movimento com o das restantes 3 rodas. Num Formula 1 a suspensão é, basicamente, constituída pelos braços que a ligam ao chassis e ao cubo da roda e que ajudam a definir a sua geometria, e pelos elementos elásticos, que são as molas, os amortecedores, as barras anti-rolamento e as barras de torsão. A suspensão dianteira tem, como função suplementar, incorporar o sistema de direcção (geralmente do tipo pinhão e cremalheira), enquanto a suspensão traseira engloba os semi-eixos. Os braços, são geralmente, de dois tipos: balanceiros ou tirantes. No primeiro caso, o balanceiro constitui o elemento superior da suspensão, estando ligado numa extremidade ao cubo da roda e, na outra, ao conjunto mola\amortecedor, sendo o seu ponto de fixação ao chassis entre aqueles dois extremos; o elemento inferior da suspensão é constituído por um triângulo de base larga . Hoje em dia, os projectistas de Formula 1 preferem usar apenas triângulos, tanto em baixo como em cima, por questões de peso e de afinação. |
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Esses triângulos são formados por tirantes de secção ovalizada para oferecerem uma menor resistência aerodinâmica, estando ancorados ao chassis numa extremidade e ao cubo da roda na outra. Os elementos elásticos de uma suspensão têm a função de absorverem uma determinada carga mediante uma deformação que é proporcional a essa mesma carga e retomarem a forma inicial com restituição da força absorvida quando a causa cessa. Isto é uma deformação elástica, deformação essa, que é instantânea quando se trata de absorver irregularidades da pista, ou progressiva perante, por exemplo, o rolamento do veículo em curva, o abaixamento da frente em travagem ou o seu levantamento em aceleração. São três os elementos elásticos: molas, amortecedores e barras anti-rolamentos. As molas são do tipo helicoidal e constituídas por espiras, geralmente de aço. Uma mola é caracterizada pela espessura do fio de aço que constitui as espiras, pelo passo, ou seja, a distância entre duas espiras sucessivas, pelo diâmetro das espiras e pelo comprimento da mola. As molas utilizadas na competição e na maioria dos carros de série, são de progressividade variável isto é, a sua rigidez é directamente proporcional à carga. Para construir uma mola de rigidez variável utilizam-se diversas soluções. Por um lado, é o passo da mola que é variável e progressivo, por outro, é o diâmetro do fio de aço que varia, noutros ainda são as espiras que têm um diâmetro decrescente, constituindo um cone. Em casos de extrema sofisticação, o que varia é a rigidez do aço que constitui as molas, solução muito cara e tecnicamente difícil. Os amortecedores têm um efeito controlador do movimento das molas. Se as suspensões fossem compostas, apenas, pelas molas, criar-se-ia um movimento harmónico cada vez que a roda passasse por cima de uma regularidade do piso, movimento esse desconfortável para os ocupantes e, sobretudo, incontrolável. |
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Os amortecedores são sempre do tipo telescópico, isto é, constituídos por um êmbolo que trabalha dentro de um tubo cheio de um meio viscoso (óleo ou gás), e estão, geralmente, montados no interior das molas, de forma concêntrica, podendo ser facilmente regulados. Finalmente as barras anti-rolamento, que mais não são do que molas lineares constituídas por dois tirantes ligados a uma barra de torsão, tendo como fulcro os dois apoios no chassis. O papel duma barra anti-rolamento é o de contrariar o rolamento do chassis e da carroçaria em curva. Ao desenhar um Formula1, o projectista tem sempre em mente o melhor compromisso da suspensão, conferindo-lhe um apreciável grau de liberdade de afinação. Esta é feita em dois tempos: estática e dinamicamente. A afinação estática de um Formula1 é a regulação prévia da sua geometria tendo como base a experiência. Elemento precioso para o engenheiro é o seu bloco de notas onde são apontados todos os dados referentes a cada Grande Prémio, desde as impressões do piloto, ás afinações feitas, aos resultados. Todos estes dados serão uma excelente base de partida para a próxima vez que se correr nesse circuito, e é recorrendo a eles que os mecânicos procedem á primeira afinação estática do carro. Todavia, essa afinação tem sempre que ser modificada porque alguns parâmetros variaram: novo piloto, chassis modificado, pneus de outro tipo, tapete asfáltico alterado, circuito com outro traçado, e tantos outros. Esta é uma das razões porque a afinação dinâmica é imprescindível. A ela é dedicada todo tempo dos treinos de um Grande Prémio, mesmo os cronometrados. A opinião do piloto é um elemento importante para o engenheiro, muitas vezes até por razões psicológicas, mas nem sempre o caminho mais seguro. Em testes privados o engenheiro tem sempre a possibilidade de completar as informações dadas pelo piloto com todos os aparelhos de medida que, através da telemetria ou de registo magnético, armazenam milhares de dados, desde a temperatura do motor à temperatura do óleo e da água, à pressão dinâmica na carroçaria, à flexibilidade da carroçaria, etc. Esses dados são depois introduzidos num computador e analisados pelos engenheiros, que procedem a alterações achadas convenientes. Todavia nos curtos treinos de um Grande Prémio não é possível proceder desta maneira, e para além das informações do piloto e dos tempos registados em cada volta, o engenheiro só tem uma forma de tirar conclusões que e que é através do único elemento de ligação ao solo: o pneu. O comportamento dinâmico de um veículo é influenciado, entre outros factores, pela transferência de peso. |
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Numa posição estática ou a velocidade constante, um Formula 1 tem 40 % do seu peso sobre as rodas dianteiras e os restantes 60 % sobre as rodas traseiras. Quando se verifica uma variação dessa velocidade, seja por aceleração ou por travagem, o peso desloca - se no sentido contrário ao da força, por questões de inércia. Numa aceleração o peso desloca-se para as rodas traseiras, fazendo com que a frente levante, e na travagem verifica-se o oposto, com as rodas dianteiras a serem sobrecarregadas e a frente a mergulhar. Esta transferência de peso e os seus efeitos são prejudiciais ao comportamento do veículo e, por isso, são introduzidos nas suspensões elementos que contrariam esses movimentos, minimizando os seus efeitos. Na frente é montado um sistema anti-mergulho (anti-dive) e na traseira um sistema anti-levantamento (anti squat). É evidente que a transferência de pesos não se verifica apenas no sentido longitudinal, mas também no sentido transversal. Em curva, o veículo é sujeito a uma tremenda solicitação por acção da força centrifuga, gerando-se um momento de torsão em torno do chamado eixo de rolamento. Vimos já que para contrariar esse rolamento os Formula 1 possuem barras de torsão à frente e atrás, que são reguláveis pelo piloto. É preciso não esquecer que, à medida que uma corrida se desenrola e a gasolina vai sendo consumida, o peso do veículo reduz-se, alterando-se a distribuição de pesos. É certo que o depósito está, em geral, localizado no centro de gravidade do veículo minimizando os efeitos da variação de peso, mas é preciso não esquecer que, entre o princípio e o fim duma corrida, a variação do peso devido ao consumo de gasolina é da ordem dos 150 quilos. |
| 2.35 | Jenson Button |
| 3.30 | Sebastian Vettel |
| 7.50 | Lewis Hamilton |