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quarta-feira, 19 de Novembro de 2008 | 23:32 (F1:16)

A transmissão tem como função principal e, como o nome indica, transmitir ás rodas motrizes, sem que estas patinem, toda a potência gerada pelo motor (ou quase toda). Para que isso aconteça tem que haver um conjunto de engrenagens encarregada de desmultiplicar as rotações do motor. A 300 Km/h um motor de um Formula 1 poderá estar a 9 mil ou 10 mil rotações por minuto, enquanto as rodas traseiras girarão a 2000 ou 2500 rotações por minuto.

A maioria das equipas de Formula 1 utiliza, desde há muitos anos, transmissões de fabrico Hewland, embora em muitos casos modificadas. As alterações são, geralmente, externas no sentido de aligeirar a caixa e só equipas de maior gabarito técnico se arriscam a proceder a alterações no sistema de engrenagem. Ao contrário do que acontece nos automóveis de série, as caixas de competição não têm sincronizadores e são de engrenagens de dentes rectos ("close ratio") para que as mudanças se façam rapidamente sem perda apreciável de rotações.

Diferencial

Outra particularidade das caixas de competição é que os jogos de engrenagens são facilmente removíveis, sem necessidade de desmontar a caixa, possibilitando uma rápida modificação de relações de transmissão, os chamados "rapports". Geralmente, uma caixa de Formula 1 tem 5 ou 6 velocidades mais a marcha-atrás, que é obrigatória. O autoblocante é também usado nas rodas motrizes (traseiras) para impedir que uma roda gire mais depressa do que a outra por diferença de carga.

Uma caixa Hewland, tem no mínimo, 30 conjuntos de diferentes relações de transmissão, que permitem obter pequenos intervalos entre mudanças sucessivas. O construtor fornece em cada caixa um conjunto de gráficos que possibilitam um correlacionamento entre as rotações do motor e a velocidade do veículo, para cada relação de transmissão.

A determinação dos "rapport" ideais é tarefa impossível (uma vez mais) porque o piloto terá que optar pelo melhor compromisso em todo o perímetro do circuito e não apenas para uma curva ou uma recta. Muitas vezes é preferível perder numa curva, optando por uma outra relação de caixa, para ir ganhando noutro local do circuito, rodando mais rápido no conjunto da volta ao circuito.

Caixa de Velocidades

Cada piloto tem o seu modo de afinar o carro e de escolher as relações de caixa. Embora discuta o assunto com o seu engenheiro, e por vezes com o seu colega de equipa, é frequente que, dentro da mesma equipa, a escolha dos dois pilotos seja diferente. O método básico para a determinação das melhores relações de transmissão é este: em principio, a 5ª e 6ª velocidades são escolhidas de forma que o piloto atinja a rotação máxima do motor no final da recta principal.

A primeira tem, em geral, a atenção á partida e curvas em gancho, muito apertadas. As outras velocidades são escolhidas conforme as curvas, de forma a que se atinja o regime máximo no momento da aceleração à saída da curva. Mas são as curvas mais importantes que influência a escolha dos "rapports".

Geralmente as curvas mais importantes dum circuito são as mais rápidas, pois é nelas que se ganha (ou se perde) mais tempo. No Estoril, por exemplo, as curvas mais importantes são a "2", que influencia, toda a parte interior do circuito e a parabólica que determina a velocidade na recta principal.