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A transmissão tem como função principal e, como o nome indica, transmitir ás rodas motrizes, sem que estas patinem, toda a potência gerada pelo motor (ou quase toda). Para que isso aconteça tem que haver um conjunto de engrenagens encarregada de desmultiplicar as rotações do motor. A 300 Km/h um motor de um Formula 1 poderá estar a 9 mil ou 10 mil rotações por minuto, enquanto as rodas traseiras girarão a 2000 ou 2500 rotações por minuto. A maioria das equipas de Formula 1 utiliza, desde há muitos anos, transmissões de fabrico Hewland, embora em muitos casos modificadas. As alterações são, geralmente, externas no sentido de aligeirar a caixa e só equipas de maior gabarito técnico se arriscam a proceder a alterações no sistema de engrenagem. Ao contrário do que acontece nos automóveis de série, as caixas de competição não têm sincronizadores e são de engrenagens de dentes rectos ("close ratio") para que as mudanças se façam rapidamente sem perda apreciável de rotações. |
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Outra particularidade das caixas de competição é que os jogos de engrenagens são facilmente removíveis, sem necessidade de desmontar a caixa, possibilitando uma rápida modificação de relações de transmissão, os chamados "rapports". Geralmente, uma caixa de Formula 1 tem 5 ou 6 velocidades mais a marcha-atrás, que é obrigatória. O autoblocante é também usado nas rodas motrizes (traseiras) para impedir que uma roda gire mais depressa do que a outra por diferença de carga. Uma caixa Hewland, tem no mínimo, 30 conjuntos de diferentes relações de transmissão, que permitem obter pequenos intervalos entre mudanças sucessivas. O construtor fornece em cada caixa um conjunto de gráficos que possibilitam um correlacionamento entre as rotações do motor e a velocidade do veículo, para cada relação de transmissão. A determinação dos "rapport" ideais é tarefa impossível (uma vez mais) porque o piloto terá que optar pelo melhor compromisso em todo o perímetro do circuito e não apenas para uma curva ou uma recta. Muitas vezes é preferível perder numa curva, optando por uma outra relação de caixa, para ir ganhando noutro local do circuito, rodando mais rápido no conjunto da volta ao circuito. |
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Cada piloto tem o seu modo de afinar o carro e de escolher as relações de caixa. Embora discuta o assunto com o seu engenheiro, e por vezes com o seu colega de equipa, é frequente que, dentro da mesma equipa, a escolha dos dois pilotos seja diferente. O método básico para a determinação das melhores relações de transmissão é este: em principio, a 5ª e 6ª velocidades são escolhidas de forma que o piloto atinja a rotação máxima do motor no final da recta principal. A primeira tem, em geral, a atenção á partida e curvas em gancho, muito apertadas. As outras velocidades são escolhidas conforme as curvas, de forma a que se atinja o regime máximo no momento da aceleração à saída da curva. Mas são as curvas mais importantes que influência a escolha dos "rapports". Geralmente as curvas mais importantes dum circuito são as mais rápidas, pois é nelas que se ganha (ou se perde) mais tempo. No Estoril, por exemplo, as curvas mais importantes são a "2", que influencia, toda a parte interior do circuito e a parabólica que determina a velocidade na recta principal. |