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quarta-feira, 19 de Novembro de 2008 | 22:30 (F1:13)
Jackie Stewart

Apesar dos seus três títulos mundiais, Jackie Stewart será sempre lembrado pela sua luta pela melhoria das condições de segurança da F1. Aliás, enquanto piloto, o escocês nunca foi colocado ao nível dos melhores do seu tempo...

Irmão de um piloto de créditos firmados na Escócia e mecânico desde tenra idade na garagem da família, Jackie Stewart começou por fazer tiro olímpico, falhando por pouco o apuramento para os Jogos Olímpicos de 1960.

Aos poucos, porém, foi ganhando o gosto pela condução e, quando o irmão se lesionou gravemente, foi Jacky quem assumiu a faceta competitiva na família.

Rapidamente, a fama do piloto de Dumbarton espalhou-se, e Ken Tyrrel, então "manager" da Fórmula 1 Júnior na Cooper, concedeu-lhe uma hipótese. Para espanto do futuro fundador da Tyrrel, Jackie Stewart fez melhores tempos do que Bruce McLaren, então já um famoso piloto na Fórmula 1. Ficou.

De 1963 a 65, Stewart fez a sua aprendizagem na Fórmula 3, até a BRM o convidar para acompanhar Graham Hill na famosa escuderia. Em cheio. Na primeira corrida, marcou logo um ponto e, até final da época, venceu a prestigiada prova de Monza à frente de uma autêntica guarda de honra formada por Clark, Hill e Surtees.

O ano de 1969, no qual Stewart conquistou o seu primeiro título, foi um ano repleto de acidentes, ao ponto de a FIA proibir os famigerados "aillerons". Mas, surpresa das surpresas, o Matra de Jackie Stewart continuou a melhorar os seus tempos, enquanto as demais escuderias não conseguiam igualar as proezas do período dos "aillerons".

Todavia, talvez por ter vivido um período negro da Fórmula 1, entre 1970 e 73, durante o qual morreram em pista Jochen Rindt, Francois Cevert (seu colega e amigo), Bruce McLaren, Piers Courage, Pedro Rodriguez e Joseph Siffert, o piloto escocês iniciou uma cruzada contra as péssimas condições de segurança da maioria dos circuitos. É dele a célebre declaração: «Se o melhor que podemos fazer ao nível da segurança provoca ainda seis mortos em três anos, há algo tragicamente errado na F1». E, na verdade, desde o apoio médico aos bombeiros e aos "rails" de protecção, passando pelo "design" dos carros, muito havia para fazer.

Stewart em Nurburgring
Jackie no final dos anos 60

Stewart sabia o que dizia: no final dos anos 60, o piloto escocês sofreu um penoso acidente em SPA, no qual ficou preso ao carro 25 minutos, impotente perante as dores e o princípio de um incêndio (apagado por Graham Hill). No final da aventura, Stewart lançou o desabafo: «Os bólides de Fórmula 1 são armadilhas perigosas!».

Por força desta cruzada, as proezas desportivas de Jackie Stewart passaram para segundo plano, embora o seu título de 1971, obtido já na Tyrrel, tenha sido uma verdadeira demonstração de classe. Os seus detractores, porém, lembram que, em 1973, Stewart só venceu porque a Lotus estava de tal forma minada pelas guerras internas que Fittipaldi e Peterson preferiam combater entre si a lutar contra o resto do pelotão...

De qualquer forma, é inegável o talento e o contributo de Jackie Stewart para o mundo da Fórmula 1, ao qual o velho escocês se juntou novamente em 1997, ao fundar a sua própria equipa, a Stewart Grand Prix.

Todavia, como o próprio gosta de lembrar, manteve o record de mais vitórias na carreira (27) durante quinze anos. Ainda hoje, apenas, Prost, Senna, Mansell e Schumacher ostentam maior número de triunfos...