Se é possível argumentar que houve pilotos melhores do que Niki Lauda, torna-se difícil encontrar algum tão metódico e calculista como o austríaco. Tricampeão mundial, Lauda foi o condutor de Fórmula 1 mais parecido com um computador...
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Filho de um industrial de papel e herdeiro de uma abastada família vienense, Andreas Nikolaus Lauda cedo percebeu que a sua paixão não era o papel, mas sim as corridas de automóvel. Ajudante de camionista, taxista e mecânico, o jovem austríaco fez de tudo um pouco pagar o seu sonho, mas em 1970, foi o bom nome da família que permitiu que a Caixa Económica Austríaca lhe concedesse um empréstimo, de forma a que Lauda comprasse um lugar na March, em Fórmula 2. |
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No ano seguinte, chegou à Fórmula 1 e, após dois anos na March e um na BRM, convenceu o jovem director da Ferrari, Luca di Montezemolo, a contratá-lo. Mais tarde, admitiu que, se não fosse esse contrato, salvador, a sua carreira teria acabado. Na Ferrari, terminou o primeiro mundial no quarto posto, mas em 1975 seria o "ano incrível". Cinco vitórias foram suficientes para o primeiro título do austríaco. |
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Em 1976, Lauda sofreu o seu terrível acidente em Nurburgring, durante o qual o capacete se partiu, obrigando-o a respirar fumos tóxicos e fazendo-o sofrer queimaduras horríveis. Lauda era então o primeiro classificado do Mundial, mas quando um padre lhe administrou a Extrema-Unção, ninguém acreditou que o austríaco sobrevivesse. Cinco semanas depois, Lauda já pilotava novamente, mas, na última prova de ano, disputada em Fuji, debaixo de um intenso temporal, o piloto da Ferrari percorreu duas voltas e estacionou calmamente recusando-se a arriscar a vida. Perdeu o Mundial por um escasso ponto para James Hunt... |
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O ano 1977 marcou o novo título mundial de Lauda, mas já perto do final da época, as relações entre o piloto e Enzo Ferrari, chegaram a um ponto de ruptura. Ecclestone aproveitou e contratou o austríaco para a Brabham, mas, em dois anos, Lauda ganhou apenas duas provas, decidindo, no final de 1979, abandonar a Fórmula 1. Problemas financeiros com a sua companhia aérea fizeram-no aceitar a proposta da McLaren, em 1982. Depois de um ano infeliz em 83, Lauda sagrou-se tri-campeão mundial em 1984, ganhando o troféu a Prost pela escassa margem de meio ponto! |
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De Lauda, fica a imagem de um homem organizado que entrou na Fórmula 1 para ganhar dinheiro (só concedia sessões de autógrafos mediante compensações avultadas), mas sobretudo, de um desportista que encarou a vida como algo mais importante de que um título mundial... |