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terça-feira, 06 de Janeiro de 2009 | 04:29 (F1:21)
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Juan Manuel Fangio

Entre os ídolos desportivos da Argentina, o futebolista Maradona e o tenista Villas ocupam um lugar de destaque. Mas o primeiro desportista a captar as atenções foi Juan Manuel Fangio, um piloto que dominou a década de 50, vencendo 5 títulos mundiais e quase 50% das provas que disputou ! Foi Campeão aos 46 anos e, nas décadas posteriores foi referenciado como o melhor piloto de sempre. Nos anos 70, a Mercedes possibilitou-lhe reviver a emoção de guiar um "Flecha de Prata"...

Quando a aventura do Mundial de Fórmula 1 arrancou, em 1950, tudo indicava que pilotos como Juan Manuel Fangio, já então com 39 anos, fariam apenas uma ou duas épocas. Fangio, porém, disputou oito temporadas, atingindo o seu penta-campeonato com a bonita idade de 46 anos. De Fangio ("El chueco", o homem das pernas arqueadas), contam-se numerosas epopeias: o acidente que quase o vitimou em 1951; as velocidades vertiginosas dos "flechas" de prata da Mercedes'54, com os quais venceu 7 em 12 provas do Mundial; ou mesmo a prova de Nurburgring'57, quando terminou com o motor a arder...

Fangio no Mónaco em 1950
Com um Mercedes (1950)

Chegado à Europa em 1948, o piloto de Balcarce viu-se na contingência de ser piloto e mecânico dos seus carros, para financiar as suas provas, até o Automóvel Clube da Argentina, por indicação directa de Juan Péron, lhe custear os gastos.

O ditador, na verdade, foi um apaixonado pela condução de Fangio, e até à queda do seu regime, em 1956, o piloto nunca teve dificuldades.

Os tempos seguintes, porém, foram mais conturbados, dado que o novo regime não viu com bons olhos as ligações do piloto com a família Perón...

O seu talento foi inigualável. Para além da sua calvície e do seu aspecto robusto, Fangio teve também de se bater com os conceitos da Fórmula 1, pouco interessada nas vitórias de um "sudaca" (termo pejorativo para qualificar os sul-americanos).

Em 1956, todavia, o piloto ainda ganhava e ria-se: «Sei que me chamam o velho, mas ainda ganho aos novos, como Moss e Hawthorn. Creio que, por exemplo, ainda posso olhar para eles pelo meu retrovisor.» E, aos poucos, a Fórmula 1 rendeu-se. «Fangio uber alles» - escreveu a imprensa alemã, quando o argentino venceu em Nurburgring o seu quinto título mundial.

Na América Latina, o seu nome foi sinónimo de prestígio social, e choveram distinções de quase todos os quadrantes... Embaixador da Argentina e presidente da Mercedes-Argentina, Fangio visitou dezenas de países. Em 1958, o ditador cubano Fulgêncio Batista recebeu-o em Havana, e a oposição aproveitou a ocasião para o raptar. Foi talvez aí que o argentino percebeu a sua enorme popularidade mundial.

Fangio em Nurburgring
em 1957
Fangio num Maserati no
Mónaco em 1954
Com os "Flechas de Prata"
em 1955

Tendo assistido a quase 30 acidentes fatais, Fangio retirou-se em 1958, numa prova em que Mike Hawthorn se recusou a dobrar o carro do "velho". E explicou: «Sabia que era a última vez que o podia ver a pilotar. Aproveitei para ficar atrás dele e, mais uma vez, fiquei maravilhado com as suas trajectórias perfeitas, o seu domínio do bólide, a sua elegância».

Muitos anos mais tarde, Fangio admitiu que apenas um piloto o entusiasmara: Ayrton Senna.

E, quando o brasileiro faleceu em Imola e o velho Fangio se debatia com a doença que o minava, ninguém foi capaz de lhe dar a notícia. Veio a saber uma semana mais tarde e chorou como um "pai" pela morte de um "filho".

Era assim Juan Manuel Fangio...