PortalF1.com - A Fórmula 1 em português!
terça-feira, 06 de Janeiro de 2009 | 05:36 (F1:30)
Entrar no Chat  Leitores F1 no Chat: 0

Em 16 ocasiões, Portugal recebeu um Grande-Prémio de Fórmula 1. Dos circuitos de Monsanto e da Boavista ao do Estoril, recordamos as peripécias de cada uma das provas que, apenas uma vez, contrariaram a lógica: quem ganha em Portugal, não se sagra Campeão Mundial. De 1958 a 1996, Portugal organizou 16 Grandes-Prémios. Quando será o próximo ?

Boavista (Distância: 7,5 km, Custo da prova: 2 mil contos)

1958- Pelas ruas do Porto e de Matosinhos, entre postes de electricidade e carris de eléctricos, correu-se o primeiro Grande-Prémio de Portugal. Em acesa disputa pelo título, estavam Stirling Moss e Mike Hawthorn quando se chegou à 9ª prova do Mundial (entre 11). No primeiro ano pós-Fangio e no qual participou Maria Teresa de Filippis (Maseratti), a primeira mulher na Fórmula 1, a organização da prova orçamentou o projecto em 2 mil contos.

Numa prova marcada pelo aparatoso acidente de Graham Hill, Moss venceu, mas permitiu que Hawthorn não fosse desqualificado, pois este deixara o seu Ferrari ir abaixo e aproveitou uma descida para arrancar. Acusado por um comissário, Hawthorn viu Moss sair em sua defesa, e o seu segundo lugar ficou incólume, garantindo 7 pontos (6 do 2º posto e um pela volta mais rápida), contra os 8 de Moss. Nesse ano, Hawthorn foi campeão, com um ponto de avanço sobre... Moss.

Monsanto (Distância: 5,4 km)

1959- Em Monsanto, realizou-se o 2º Grande–Prémio de Portugal. Dos 16 pilotos que partiram, entre os quais "Nicha" Cabral, chegaram 10 à meta. Da segunda vitória de Stirling Moss em Portugal, pouco há a dizer.

No final da temporada, Brabham sagrar-se-ia campeão mundial, graças a um esforço suplementar na última prova, em Sebring (Estados Unidos), onde empurrou o carro durante 800 metros devido à falta de gasolina.

Boavista (Distância: 7,5 km)

1960- De regresso ao Porto, o Grande-Prémio de Portugal foi o oitavo do calendário e manteve a tradição: o piloto que o ganhou não foi campeão mundial. Sem grandes incidentes, a prova foi apenas animada por mais uma derrapagem forçada de Jack Brabham, cujo Cooper-Climax verteu um pouco de gasolina para o interior, provocando uma escorregadela do pé do piloto, no momento em que pisava o travão. No entanto, seria o britânico o vencedor do III Grande-Prémio português.

Estoril (Distância: 4,3 km)

1984- O Mundial de 1984, com 16 provas emotivas (dos quais apenas 11 contavam para a classificação), terminou no circuito do Estoril e testemunhou uma das grandes revoluções da Fórmula 1, com a introdução do limite de consumo de 220 litros por prova. O quarto Grande-Prémio de Portugal foi talvez o mais emocionante de sempre, uma vez que foi a última prova da temporada, na qual se definia o título entre Alain Prost e Nikki Lauda. O francês precisava de ganhar, e, ao mesmo tempo, o seu colega da McLaren não podia terminar em segundo. Na segunda fase da prova, Mansell interpôs-se entre os dois pilotos, mas uma fuga de óleo provocou o seu acidente, e Lauda foi campeão.

1985- Foi o ano da primeira vitória de Ayrton Senna na Fórmula 1, mas, desta feita, o Estoril foi a segunda prova do calendário. Muita chuva em Abril provocou lentidão generalizada e sete acidentes, mas o piloto brasileiro foi rei e senhor ao volante de um Lotus que conseguiria a primeira vitória para a marca desde a morte de Colin Chapman. Perseguindo Senna constantemente, Prost viria a despistar-se com aparato, deixando o caminho aberto ao brasileiro e aos restantes oito "heróis" que terminaram a prova. De registar também que a organização deu a prova por terminada duas voltas antes do final. Motivo: a chuva cada vez mais ameaçadora.

1986- O VI Grande-Prémio de Portugal foi novamente a antepenúltima prova do Mundial. A luta entre Prost e Mansell estava ao rubro, e o piloto inglês foi mais forte, ao vencer a prova à frente do francês, traumatizado pela morte do irmão, quatro dias antes. Numa prova em que a Ferrari estabeleceu o recorde de 5,4 segundos para mudar os quatro pneus de Johansson , destaque para o sucesso económico do evento, depois do fracasso de 1985. Ecclestone exigiria uma garantia de 80 mil contos para continuar a haver Fórmula 1 no Estoril. Portugal cumpriu.

1987- O tricampeonato mundial de Nelson Piquet teve uma quota-parte de sorte em 87, uma vez que Mansell se despistou no Japão, abrindo caminho ao piloto da Williams. Antes, porém, já o brasileiro sofrera um aparatoso acidente em Imola. Em Portugal foi Prost quem ganhou, batendo o record de Jackie Stewart de 27 vitórias na Fórmula 1. Depois de uma partida falsa e de uma louca perseguição a Berger, o francês da McLaren foi o melhor.

1988- No primeiro ano da era Senna, o Estoril foi mais uma etapa do Mundial da monotonia, totalmente dominado pelos McLaren de Prost e Senna. A equipa inglesa terminou com o triplo dos pontos da Ferrari (199) tendo dominado 992 (das 1018) voltas do campeonato. No Estoril houve três largadas, depois de Prost "fechar" Senna e, logo de seguida, de o brasileiro empurrar o francês contra o muro das "boxes". Mas a emoção ficou por aí. Prost venceu, Senna foi 6º, e a única nota de surpresa foi dada por Ivan Capelli, extraordinário na perseguição a Prost.

1989- Para tristeza do público português, Senna "desperdiçou" a pole-position, acabando por sofrer um acidente na fase final da prova. Mansell e Berger partilharam o comando, mas a organização desqualificou o inglês por este não ter respeitado o regulamento durante uma paragem nas "boxes". Com o Ferrari de Berger na frente, o McLaren de Prost em segundo, o terceiro título mundial do francês foi praticamente assegurado.

1990- Na época em que a Fórmula 1 festejou a 500ª corrida e Portugal recebeu o seu 10º Grande-Prémio, o circuito do Estoril assistiu a uma prova emocionante. Mansell e Prost (ambos em Ferrari) atrapalharam-se à partida, permitindo que os McLaren de Berger e Senna se adiantassem, mas cedo Nigel Mansell tomou a dianteira, assegurando a 16ª vitória da sua carreira, igualando o record de Moss. Prost foi recuperando lugares, ultrapassando Piquet e Berger, e, quando se aproximava de Senna, a prova foi interrompida devido ao grave acidente entre Alex Caffi e Aguri Suzuki, à 62ª volta. Senna foi segundo, Prost terceiro, e a luta continuou acesa até ao último Grande-Prémio da época, no Japão...

1991- Já com um novo sistema de pontuação (dez pontos por vitória, contando todos os resultados da época) e com um novo presidente da FIA (Max Mosley) , o ano de 1991 deixou antever uma Williams muito mais possante, embora a McLaren tenha assegurado o quarto título consecutivo, e Senna o seu terceiro. No Estoril Frank Williams preparou a táctica da sua equipa, baseada na necessidade de Mansell ganhar e Patrese "roubar" pontos a Senna. Todavia, a desqualificação de Mansell, que recebeu assistência técnica irregular, permitiu ao italiano uma extraordinária vitória - a 50ª da história desta "escuderia". No Mundial de pilotos, Senna ficou mais perto do título.

1992- À 12ª vez quebrou-se o enguiço pela primeira e única vez. O vencedor no Estoril foi também o Campeão Mundial: no caso, o inglês Nigel Mansell, em Williams. No entanto, houve surpresa neste facto, já que pouco faltou para que o inglês terminasse o campeonato com o dobro de pontos do segundo classificado, o seu colega Ricardo Patrese, tão grande foi o seu domínio. No Estoril, Patrese sofreu o acidente do ano, ao colidir violentamente com Berger, levantando voo em direcção ao céu. Sem consequências de maior, porém, no dia em que a Williams anunciou que Prost seria seu piloto em 1993, ao lado de Damon Hill.

1993- Foi no Estoril que Alain Prost assegurou matematicamente o seu quarto título mundial, ao terminar em segundo lugar a prova portuguesa e beneficiando da desistência de Senna. Numa prova que possibilitou ao alemão Michael Schumacher (Benetton) a segunda vitória da sua carreira e a única no Mundial de 93, Prost limitou-se a gerir a sua posição, ao passo que o português Lamy desistiu no seu 2º Grande-Prémio ao volante de um Lotus.

1994- A FISA voltou a mexer nas regras, permitindo o reabastecimento dos carros e, ao mesmo tempo, aumentando o peso mínimo dos bólides com motores atmosféricos para 505 Kg. Quatro meses depois do acidente de Senna, o Grande-Prémio de Portugal foi ganho pelo surpreendente Damon Hill, no ano em que Schumacher venceu o seu primeiro título mundial. Mas a nota mais emotiva foi a modificação do nome da Curva Parabólica para "Curva Ayrton Senna".

1995- Primeira vitória de Coulthard num Grande-Prémio. Uma prova com pouca história, à excepção do acidente no arranque do G.P. Pedro Lamy cumpriu apenas 7 voltas.

1996- O 16º Grande-Prémio de Portugal foi também o último, tanto mais que se tornou evidente que o Autódromo necessitava de obras urgentes. Damon Hill, ao volante de um Williams, foi Campeão Mundial, mas, no Estoril, o piloto inglês teve de vergar-se ao impetuoso Villeneuve, seu colega de equipa. Lamy, mais uma vez, não pontuou.