A primeira década da Fórmula 1 presenciou vários episódios que caricaturaram as dificuldades da época, apesar de toda a boa vontade. Na verdade, olhando para o quadro de pilotos do primeiro Mundial, é difícil não esboçar um sorriso: Fangio tinha 38 anos, Ascari 32, Fagioli 52, Farina 50, Chiron 50. Seria, no entanto, "il dottore" Giuseppe Farina, licensiado em Ciências Económicas e tenente de cavalaria na reserva, a sagrar-se Campeão Mundial. Aos 50 anos... E não fosse o facto de contarem apenas as quatro melhores provas, o Campeão teria sido Fagioli, aos 52 anos.
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Do ponto de vista das marcas, a competição entre grandes fabricantes e pilotos privados não era minimamente leal. Conta-se, entre sorrisos, que Fangio, em Spa, cobriu duas voltas num tempo melhor que o Talbot de Chaboud realizara numa ! No entanto, o facto de não haver limitações do número de viaturas permitia, por exemplo, que a Talbot tivesse apresentado sete bólides para a temporada de 1950. |
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Em relação aos pilotos, nada os impedia de trocar de carro com um colega de equipa durante uma prova ou, mais estranho ainda, representar mais do que uma marca por época. Na verdade, Fangio, em 1954, sagrou-se Campeão Mundial, guiando um Maseratti e, depois, um Mercedes ! Apenas a instituição do título de construtores em 1958 veio regular um pouco a anarquia, contribuindo também para uma aposta muito mais forte das grandes marcas na Fórmula 1. O futuro dos pequenos constutores ficou então comprometido... |