Em 1990, Pedro Matos Chaves vencera a Fórmula
3000 britânica e parecia encaminhado para a Fórmula 1. Todavia, meses depois, o mercado já fechara, a Lotus (uma das possíveis
interessadas) contratara Mika Hakkinen, e só Enzo Coloni lhe arranjou carro. Algumas provas depois, a constatação: carros sem
limpeza, mecânicos com salários em atraso, desavenças terríveis com Enzo Coloni. O resultado foi cruel: participou em
14 pré-qualificações. Em vão.
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«No ano 1991, tive uma das experiências mais penosas da minha carreira» - recorda o piloto portuense. «Vinha de uma época muito bem sucedida na F3000, com o título de Campeão britânico e um bom resultado no europeu.» O valor do Coloni, desde logo, saltou à vista: «A falta de competitividade do carro foi evidente, representando uma desilusão para mim. Nem por sombras estava nas mesmas condições de duas das quatros equipas que tinham de fazer as pré-qualificações connosco, casos da Jordan e da Dallara. 1991 foi também o ano com mais carros (31) na Fórmula 1, para apenas 26 lugares disponíveis. Gente de mais, de facto». |
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Durante a sus experiência entre os "gigantes", Matos Chaves destaca os momentos mais altos: «Em Phoenix, a cinco minutos do final das pré-qualificações, estávamos nos três primeiros, quando sofri um acidente devido à sujidade da pista. Fui ultrapassado, mas estive muito perto de me qualificar. No Mónaco, por outro lado, o meu tempo dava, no final dos treinos livres, para estar entre os 26 apurados (22º lugar), o que ilustra bem como, em Monte Carlo, o motor não é tão decisivo». |
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Oito anos depois, os portugueses continuam ausentes do "circo" da Fórmula 1. A reflexão de Matos Chaves não deixa espaços para dúvidas: «Somos um mercado pequeno para as multinacionais se interessarem. Não fazemos pneus, nem motores, não temos "sponsors" internacionais nem engenheiros na Fórmula 1...» |