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terça-feira, 06 de Janeiro de 2009 | 08:18 (F1:14)
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Pedro Lamy

O telefonema foi em 1993, mas Pedro Lamy, lembra-se bem do dia em que a Lotus lhe pediu para abandonar a Fórmula 3000 e substituir o infeliz Zanardi, que se despistara em SPA. Para 1994, já estava garantido um lugar não formação fundada por Colin Chapman (apesar de a Jordan também ter sondado o piloto), mas a estreia ocorreu em Monza, em 1993.

Lamy recorda: «Entrei para a Lotus seduzido com o nome da equipa e com o projecto que se preparava, de união da marca com a Honda. Todavia, a Lotus não estava no ponto em que eu pensava».

O piloto português recorda-se dos conselhos de Ayrton Senna à "escuderia" e a si próprio, mas nem isso ajudou, porque financeiramente a formação inglesa estava em crise: «Creio até que a Lotus passou uma "rasteira" à Honda, que não estava certamente a contar com uma crise tão profunda. Poucos patrocinadores, pouco dinheiro... naturalmente a equipa ressentiu-se!»

Coincidência ou não, Lamy sofreu, ao volante de um Lotus, com debilidades ao nível da segurança (insuficiência de manutenção?), o pior acidente da sua carreira: foi em Silverstone, dias depois do fim-de-semana de todas as tragédias. Aliás, quando tem de escolher o pior dia da sua vida, Lamy não hesita: «Silverstone foi mau, parti as pernas e perdi meses de competição. Mas Imola’94, durante o qual Ratzenberger e Senna morreram e Barrichello esteve muito perto da morte, foi um fim-de-semana terrível, durante o qual todos os pilotos certamente pensaram que poderiam facilmente ter sido eles e não os infelizes colegas a perder a vida... Houve um pouco de tudo em Imola’94, e digo com toda a segurança que foi o pior dia da minha vida!»

 

Regressado à competição, Pedro Lamy aceitou o convite da Minardi em 1995 e teve de provar que, apesar do acidente, as suas faculdades, mantinham-se intactas: «É sempre difícil provar que a situação voltou ao normal, porque as pessoas mostram alguma desconfiança». Todavia, dentro das possibilidades, a Minardi realizou uma boa época, e Pedro Lamy marcou, em Adelaide, o único ponto de um português na Fórmula 1.

O ano seguinte, porém , foi muito pior, já que o carro não evoluíra, o engenheiro principal saiu da equipa, e a época foi, a todos os títulos, decepcionante. «Depois disso» - recorda Lamy - «recebi convites no final de 1996, mas ficou tudo em águas de bacalhau». Saudades não tem, mas admite que gostaria de voltar a guiar um monolugar no futuro. «E, se fosse da Fórmula 1, a mais competitiva de todas as fórmulas, seria ouro sobre azul!» - reconhece com um sorriso.