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quarta-feira, 19 de Novembro de 2008 | 22:51 (F1:48)

Numa das últimas entrevistas que concedeu, Juan Manuel Fangio falou, com emoção, dos muitos companheiros que viu morrer na Fórmula 1. Hawthorn, Lewis-Evans, Collins, Musso e Marimon entre tantos outros que perderam a vida em consequência de acidentes fatais. A partir de 1963, a FIA entendeu que teria de lutar pela segurança da Fórmula 1.

Imola, 1994. No fim-de-semana de todas as tragédias, o Grande-Prémio de San Marino estava prestes a começar. Nos treinos de qualificação, o austríaco Roland Ratzenberger falecera depois de um brutal acidente; Rubens Barrichello quase conheceu um destino idêntico na sequência de um embate fortíssimo.

Em tudo isto, pensavam os 22 pilotos que partiam para mais um Grande-Prémio. Ninguém podia, porém, imaginar a tragédia que vitimou Ayrton Senna ao volante do seu novo Williams. Seguindo a prova pela televisão, milhões de espectadores emocionaram-se em directo e assistiram morbidamente a todos os desenvolvimentos do acidente. Depois do acidente de Wolfgang von Trips em Monza (1961), que vitimou o piloto e mais uma dezena de espectadores, a FIA criou um departamento de segurança destinado a criar regulamentos que obrigassem os construtores a promover carros mais seguros.

Assim, entre 1963 e 1967, a Federação impôs as primeiras inspecções aos circuitos, definiu os primeiros capacetes e fatos regulamentares, introduziu as bandeiras de sinalização e criou duas inovações que, ainda hoje, são adoptadas pelos construtores comerciais: impôs o arco de segurança que, na prática, faz com que, em caso de capotamento, o primeiro ponto de contacto com o chão não seja a cabeça do piloto; e definiu regras para que os cintos de segurança não prendessem o piloto em caso de incêndio. Nesse primeiro período, em 47 acidentes, três pilotos morreram, Beaufort (64), Taylor (66) e Bandini (67).

O período entre 1968 e 1972 foi marcado pela intensa actividade dos construtores, que criaram um vasto conjunto de soluções que fariam aumentar drasticamente a velocidade. 88 acidentes e quatro pilotos mortos em pista, Schlesser (68), Mitter (69), Courage (70) e Rindt (70) foi o balanço de um período conturbado, mas durante o qual a segurança avançou a passos largos: foram definidas especificações para os "rails" e para as tribunas; os pilotos e os comissários de pista passaram a vestir fatos à prova de fogo; tornaram-se obrigatórios os testes físicos aos pilotos; e definiu-se o sistema de rompimento eléctrico, o tanque de recolha de óleo e a espuma "anti-incêndio" nos depósitos de gasolina...

O acidente de Jochen Rindt em Espanha em 1969. Um ano mais tarde sagrou-se Campeão Mundial... a título póstumo, depois de falecer em Monza ao volante de um Lotus-Ford.

Entre 1973 e 1977, 283 acidentes tiveram lugar, cinco dos quais resultaram fatais para Williamson (73), Cevert (73), Koinigg (74), Donohue (75) e Pryce (77). A FIA aproveitou este período para regulamentar os serviços de emergência dos circuitos. A nível técnico, impôs depósitos de gasolina resistentes ao choque, suspensões sem revestimentos de crómio, o selamento automático do depósito e, sobretudo, sistemas de protecção das pernas dos pilotos. Em função disto, e à medida que os acidentes aumentavam (283 entre 1978 e 1982), a segurança melhorou, apesar da morte de três pilotos neste período, caso dos campeões Ronnie Peterson (78) e Gilles Villeneuve (82). O terceiro malogrado foi o italiano Paletti que, em 1982, morreu carbonizado!

Gilles Villeneuve

 

O sueco Ronnie Peterson foi um dos grandes pilotos que passaram pela Fórmula 1. No entanto viria a falecer em 1978.
Senna em Imola

Entre 1978 e 1982, a Fórmula 1 viu aparecerem as primeiras barreiras de pneus a delimitarem o circuito, ao mesmo tempo que as polémicas licenças passaram a ser exigidas.

No plano técnico, para além dos dois retrovisores e da maior abertura do "cockpit", foi adoptada uma célula de sobrevivência reforçada e prolongada até aos pés do piloto. A Fórmula 1 entrava assim numa nova era, durante a qual, pela primeira vez, não ocorreram acidentes mortais.

Entre 1983 e 1992, 501 acidentes não vitimaram qualquer piloto. Durante estes nove anos, a FIA substituiu as paredes de betão por "rails", proibiu as "saias" e promoveu os primeiros testes de choque frontal. Paralelamente, surgiram os controlos anti-doping e os "safety cars".

Nos últimos anos, há a lamentar a morte de Senna e Ratzenberger. Isto apesar da proibição de lombas nos circuitos e de curvas consideradas perigosas e, sobretudo, das limitações ao nível da potência dos carros, bem como do auxílio electrónico ao piloto. E como nestas coisas os regulamentos servem para trancar casas já roubadas, a FIA impôs novos sistemas de suspensão, de forma a que nunca um pneu volte a saltar na direcção do piloto. Dir-se-ia que foi o último contributo de Ayrton Senna para a Fórmula 1...