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quinta-feira, 02 de Setembro de 2010 | 21:56 25

O circuito de Adelaide foi palco em 93, de um momento importante na história do automobilismo ao seu mais alto nível: Alain Prost virou uma página e deu por finda a sua carreira de piloto, ao cabo de quatro títulos mundiais em 199 Grandes-Prémios, 51 vitórias (record), 33 «pole-positions», 41 melhores voltas em corrida (record) e 798,5 pontos contabilizados.


Alain Prost deixa a Austrália com o sentimento do dever cumprido. É que o caminho percorrido pelo francês desde Buenos Aires, a 13 de Janeiro de 1980, onde alinhou no seu primeiro Grande-Prémio e conquistou o primeiro ponto para o Mundial de Pilotos ao volante de um McLaren-Ford, longe do valor competitivo dos futuros monolugares vermelhos e brancos, pode traduzir-se pela expressão carreira de sucesso. Para a sua última temporada (em 1993), Prost calculou bem os passos necessários para se sagrar campeão mundial, o seu grande objectivo, talvez mesmo a única motivação.

Na Argentina, o francês ignorava, sem dúvida, que entraria para a história da Formula 1 como um dos maiores pilotos de todos os tempos, lado a lado com nomes míticos das corridas de automóveis como Juan Manuel Fangio, Jack Brabham, Jackie Stewart ou Nikki Lauda.

Treze temporadas volvidas desde 13 de Janeiro de 1980, 798,5 pontos, 51 vitórias e quatro títulos mundiais acumulados. Um palmarés de prestígio, o mais glorioso de toda a Fórmula 1 actual.

Desde a sua primeira vitória, a 5 de Julho de 1981, em França, ao quarto título mundial, a 26 de Setembro, em Portugal, Prost não parou de acumular êxitos, construindo uma carreira verdadeiramente fora do comum.

Na hora do balanço, as recordações poderão misturar-se na cabeça de Prost. As boas - o primeiro êxito em Dijon, em 1981, e o primeiro título, garantido a 6 de Outubro de 1985, no Grande-Prémio da Europa, realizado em Brands-Hatch - e as más - o título falhado em 1983 com a Renault, o desafio da Ferrari «manchado» com um divórcio doloroso, as mortes de pilotos amigos (Gilles Villeneuve e Didier Pironi), a rivalidade exacerbada com Ayrton Senna também ele desaparecido das pistas anos mais tarde.

Talvez por isso, quando se pede ao quádruplo campeão do Mundo que indique a melhor e a pior recordação da sua carreira, Prost não hesita: «A melhor, incontestavelmente, é a minha vitória no Grande-Prémio da Austrália de 1986, em Adelaide. Foi nesse ano o meu melhor campeonato e o meu mais belo triunfo. De longe» E a pior recordação: «Donington, 93», responde.

O dia 11 de Abril de 1993, marcado por muita chuva no circuito britânico, deixará uma ferida profunda no campeão francês. Que jamais cicatrizará. «A partir desse dia, nada foi como dantes. Foi nessa altura que a decisão de parar se gravou no meu espírito».

 

Quando Prost abandonou a McLaren, no final de 1989, o engenheiro britânico John Barnard afirmou: «Agora é que a McLaren vai constatar que perdeu mais do que um piloto». Em 1993, no circuito de Adelaide, a Fórmula 1 apercebeu-se que perdeu mais do que um quádruplo campeão mundial. O vazio poderá ser enorme. E Ayrton Senna estará isolado no confronto com a nova geração: Michael Schumacher, Jean Alesi, e outros, Rubens Barrichello, Mika Hakkinen... Porém, anos mais tarde, a Fórmula 1 ficou definitivamente órfã ao perder o último «monstro» das pistas: Ayrton Senna da Silva, 34 anos, tricampeão mundial.