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terça-feira, 06 de Janeiro de 2009 | 05:07 (F1:19)
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Senna Comercial

O nome Senna é uma mina de ouro aparentemente de longa vida. Um dia antes do fatídico Grande-Prémio em Imola, o piloto havia aprovado o lançamento do Relógio 6000 Senna, fabricado pela suiça Tag Heuer.

Com uma produção limitada de 3 mil unidades, os relógios esgotaram-se em duas semanas. O piloto havia aprovado outros quatro produtos, lançados apenas depois da sua morte. Com a fábrica italiana Carraro fez uma montain bike. Em Dezembro, a Cagiva apresentou a moto Ducatti Senna.

A 26 de Maio, por ocasião do Grande-Prémio do Mónaco, foi lançado uma lancha de off-shore, de 42 pés e 1800 cavalos, capaz de atingir 160 quilómetros por hora. O estaleiro Tullio Abatte, o fabricante italiano da lancha, recebeu duas encomendas, de um milionário árabe e de um morador não identificado de Monte Carlo, disposto a pagar 60 mil contos pela preciosidade.

Viviane Senna, irmã do piloto, esteve em Itália para o lançamento dos óculos Senna, com aros de titânio e lentes anti-refelexo. Em Setembro, chegou ao mercado a caneta Senna, fabricada pela italiana Monte Grappa. Na versão de ouro, produzir-se-ão 161 exemplares - o número de Grandes-Prémios disputados por Senna -, ao preço de mil e quinhentos contos cada uma. A de prata, com 1960 unidades, numa referência ao ano de nascimento de Senna, custará 180 contos.

Os royalties gerados pela marca Senna foram doados pela família do piloto ao Instituto Ayrton Senna. O mesmo destino terão os lucros da marca e da revista de histórias aos quadradinhos, Senninha. A revista vende 200 mil exemplares, mais do que na época em que o herói estava vivo, e já há 12 produtos licenciados com a marca Senninha. Um sucesso, que ajuda a reforçar a bem fornecida caixa do Instituto Ayrton Senna, que já dispões de uma verba de 600 mil contos para desenvolver projectos de assistência social e cultural.

"Estamos a fazer aquilo que Ayrton queria", diz Viviane, ao explicar a iniciativa da família, que abriu mão de uma fatia substancial da herança deixada por Senna, em favor do Instituto Ayrton Senna, com o qual pretende canalizar parte do dinheiro gerado pelo mito do jovem para projectos de apoio social e cultural.

Além da demonstração de rara generosidade, o gesto serve também os interesses comerciais do grupo. "A marca Senna ainda estava a consolidar-se no mercado e sem uma boa estratégia acabaria por diluir-se rapidamente", diz um especialista em comunicação e marketing. "O Instituto serve para isso, e quem paga a conta, afinal, são os fabricantes dos produtos."

O potencial comercial da imagem de Ayrton Senna parece não ter limites. O catálogo Brasileiro de Publicações regista 11 livros sobre Senna, editados no Brasil desde Maio de 1994. O da ex-namorada, Adrianne Galisteu, já vai na décima edição e vendeu 185 mil exemplares. Além de livros, acaba de ser lançado o video Ayrton Senna para Sempre, e está nas lojas o CD-ROM The Face of a Champion.

A maior manifestação de idolatria associada aos negócios vem do Japão, onde armazéns instalaram secções especializadas em produtos Senna. Desde a sua morte, são cada vez mais frequentes os Senna-Tour, excursões turísticas que percorrem os locais frequentados por Senna, em São Paulo. "Eles querem conhecer a casa da família, o prédio das suas empresas, o restaurante que frequentava, além dos locais obrigatórios, como a maternidade onde nasceu, o autódromo e o cemitério onde o seu corpo está enterrado", diz Carla Alexandre Dias, da RM Turismo. Desde 21 de Março, dia do aniversário do piloto, mais de 400 turistas japoneses efectuaram aquele percurso.