Duelo de Titãs
Michael Schumacher retirou-se da F1 em 2006 com 7 títulos
mundiais e é o piloto com mais recordes da história da Fórmula 1.
Mais vitórias, mais pontos, mais voltas mais rápidas, mais pódiums,
etc. O alemão passou recordes históricos como os 5 títulos de
Fangio, as 51 vitórias de Prost e os 13.672 km na liderança de
Ayrton Senna.
Mas até que ponto Schumacher entra no seio de tão ilustres
pilotos?
O tricampeão brasileiro detinha o recorde quase impensável de
ser superado: o número de pole-positions. Senna conseguiu 65 poles
na sua carreira. Schumacher obteve 68! A imprensa especializada, e
até todos os amantes da Fórmula 1, não se cansam de comparar Ayrton
Senna e Michael Schumacher, analisando as características de ambos,
os seus carros, e até as épocas diferentes em que competiram.
Afinal quem foi o melhor: Senna ou Schumacher ?
O editor de automobilismo da BBC Sport, Andrew Benson, compara a
habilidade de Schumacher com aquele que, por muitos, é designado o
melhor piloto da história da Fórmula 1, Ayrton Senna.
Velocidade
Não há dúvida de que Schumacher foi o piloto mais rápido da
Fórmula 1 do seu tempo, mas Senna tem argumentos mais fortes para
ser o mais rápido de ambos. O seu recorde de pole-positions em 162
corridas é a maior evidência. Schumacher obteve 68 mas em 250
Grandes Prémios. A grande capacidade e habilidade de Michael
Schumacher não é suficiente para conseguir "aquele" milésimo de
segundo nas qualificações que tantas vezes Senna nos brindava.
Quando ambos corriam juntos, entre 1992 e 1994, Senna
indiscutivelmente tomava a liderança, mesmo com a ameaça crescente
do alemão. Acima de tudo, a concorrência que o brasileiro teve que
enfrentar estava num nível bem mais acima. Senna teve que "lutar"
com outros nomes históricos da Fórmula 1 como Alain Prost (4 vezes
campeão), Nelson Piquet (3) e Nigel Mansell (1). Actualmente a
competição no topo da classificação jamais se compara com aquela
época.
Pontuação:
Senna, 10 - Schumacher, 9
Corrida
Senna e Schumacher, ambos mestres em "esmagar" os seus oponentes
em corrida, com uma série de voltas "canhão", sempre próximas do
limite das suas forças, das suas máquinas, da pista, e até em
condições climatéricas adversas. Contudo, Schumacher aparece com
alguma vantagem devido à sua enorme habilidade em tácticas de
corrida, apoiado ainda pelo brilhantismo de alguns elementos da
equipa Ferrari.
Foi assim, que ganhou várias corridas altamente improváveis,
sendo a mais memorável na Hungria em 1998, quando teve que "abater"
25 segundos em 19 voltas. Schumacher e o seu engenheiro técnico,
Ross Brawn, estabeleceram uma das mais brilhantes duplas em
tácticas de corrida da Fórmula 1.
Isto poderá ser injusto para o brasileiro, já que as "tácticas
de corrida" evoluíram muito com a introdução dos reabastecimentos
em 1994, apenas 3 corridas depois da morte do brasileiro. O
contexto deste juízo poderá não ser o mais apropriado para
ambos.
Apesar de tudo, e enquanto Senna foi o mestre competindo na sua
época, a habilidade e capacidade de improviso colocam Schumacher
ligeiramente à frente.
Pontuação:
Senna, 9 - Schumacher, 10
Genialidade
Senna e Schumacher conseguiram "assinar" muitas das melhores
corridas de todos os tempos. Mas é, de novo, a qualificação que
consegue separar os dois. Senna foi regularmente brilhante, mas
algumas vezes conseguiu mesmo superar-se a si próprio. A mais
famosa, no Mónaco, em 1988, quando conseguiu a pole-position, sendo
mais rápido 1,5 segundos que Alain Prost com o mesmo carro.
Mais tarde confidenciou que estava a conduzir por instinto, como
se estivesse a observar-se a si próprio.
Pontuação: Senna, 10 - Schumacher, 9
Técnica
Senna, de novo, com ligeira vantagem. Schumacher trabalha duro
nas boxes e tem um conhecimento técnico profundo, claramente acima
dos demais, mas Senna e Prost têm uma reputação do melhor que a
Fórmula 1 já assistiu. Senna atirou Prost para fora da pista no
título de 1990. Ambos tinham uma perspicácia fantástica para
corrigir o mais pequeno detalhe na performance do carro.
Por exemplo, numa prova em 1993, Senna disse aos engenheiros que
sentia algum problema no motor e pediu para verificarem isso. A
equipa de engenheiros não conseguiu detectar nenhuma anomalia, mas
o chefe da equipa McLaren, Ron Dennis, ordenou-lhes a colocação de
um novo motor, somente para descargo de consciência de Ayrton
Senna.
Quando retiraram o motor do bólide de Senna, detectaram uma
fissura minúscula na cambota do motor, o que seria impossível
detectar através da telemetria. Se Senna seguisse para a corrida, o
motor não teria aguentado.
Pontuação:
Senna, 9 - Schumacher, 8
Consistência
Um ponto forte para ambos. A vantagem surge, não só por serem
mais rápidos do que os demais, mas também de o conseguirem durante
mais tempo. Senna elevou a sua preparação para níveis nunca vistos
na sua época, mas Schumacher colocou a fasquia ainda mais alto.
Ambos cometeram mais erros do que Prost - que estabeleceu uma
carreira praticamente sem erros - mas a diferença é que Schumacher
cometeu-os quando não podia falhar e Senna não.
O alemão cometeu erros cruciais nos seus três primeiros títulos.
Conseguiu em 1994 quando atirou Damon Hill para fora da corrida.
Não teve tal sorte em 1997 e 1998. Em tais condições Senna não
teria desaproveitado.
Pontuação:
Senna, 9 - Schumacher, 8
vontade
Não há dúvida quanto aos altos níveis de comprometimento e
desejo de vencer de ambos - colocando mesmo os seus oponentes em
risco de acidente caso não os deixem ultrapassar. Mas Senna estava
disposto a correr mais riscos do que Schumacher, ao ponto de ter
posto a sua vida em perigo.
Ficou bem demonstrado quando Senna colocou Prost fora de pista a
mais de 240 km/h na primeira volta do Grande Prémio do Japão em
1990. Senna sempre conduziu com uma grande garra interior, o que
combinado com o seu desejo de vitória, se tornou numa mistura
explosiva. Schumacher "apenas" tem o desejo de vencer.
Pontuação:
Senna, 10 - Schumacher, 9
Chuva
São provavelmente os maiores pilotos de todos os tempos em
condução sob chuva. Pelo alto nível de consistência nestas
condições adversas e pela absoluta superioridade perante os outros
pilotos. É impossível distinguí-los.
Pontuação:
Senna, 10 - Schumacher, 10
Trabalho
Senna e Schumacher sempre mostraram um total comprometimento com
o sucesso. Juntamente com Prost, e inigualável por qualquer outro
piloto. Os três sempre trabalharam pela noite dentro para se
certificarem que estavam totalmente preparados para o dia seguinte.
Ao máximo.
Pontuação:
Senna, 10 - Schumacher, 10
Conclusão
É praticamente impossível comparar dois pilotos de épocas
diferentes, mas Senna e Schumacher tornaram possível pois
competiram entre si por um curto período de tempo.
Senna combina todas as qualidades que um piloto de competição
precisa - fantástica habilidade, total comprometimento e uma
inteligência extrema. Aliado a um carisma ímpar na Fórmula 1
tornou-se num dos mais brilhantes ícones do desporto mundial.
Schumacher é também sensacional, e é unânime que a morte de
Senna retirou à Fórmula 1 aquilo que poderia ser a maior rivalidade
de toda a história da modalidade.
Aos 34 anos, Senna estava no auge, mas provavelmente não se iria
manter por muito mais tempo; Schumacher estava a caminho do topo. O
grande duelo de titãs estava próximo.
Schumacher já provou ao mundo que tem a categoria dos melhores
pilotos da história. Mas a avaliação de ambas as performances, por
muito subjectiva que possa ser, sugere Senna como o maior.
Total: Senna 77-73 Schumacher
Nota: Este artigo de opinião foi originalmente publicado por
Andrew Benson, editor de automobilismo da BBC online.
Schumacher
- Velocidade: 9
- Corrida: 10
- Genialidade: 9
- Técnica: 8
- Consistência: 8
- Vontade de vencer: 9
- Condução à chuva: 10
- Trabalho: 10
Senna
- Velocidade: 10
- Corrida: 9
- Genialidade: 10
- Técnica: 9
- Consistência: 9
- Vontade de vencer: 10
- Condução à chuva: 10
- Trabalho: 10