Em 2012 vai ser o ano em que se comemora o aparecimento de um
dos chassis mais marcantes da história da Formula 1, pois estamos a
tratar do primeiro monocoque da história da competição: o Lotus 25.
Este é o primeiro dos chassis marcantes desenhados por Colin
Chapman, e foi o carro que deu os dois títulos mundiais a Jim
Clark, pois ele foi usado pela equipa principal e mais outras
equipas nas cinco temporadas seguintes, até 1966.
A
ideia do chassis surge algures em 1961 quando Colin Chapman jantava
com Mike Costin, um seu antigo associado que se tinha juntado a
Keith Duckworth para construir uma preparadora de motores que vitia
a ser a Cosworth. Ambos discutiam a rigidez torsional dos chassis,
e à medida que conversavam, Chapman desenhava em guardanapos as
ideias que iam tendo. Em poucas linhas, nascia um chassis que iria
revolucionar a Formula 1, que iria fazer com que se resolvesse uma
problema aparentemente irresolúvel: um chassis tão rígido como
leve.
O modelo 25 era três vezes mais rijo do que o modelo 21, que era
feito de modo tubular, mas a sua leveza era maior do que o modelo
anterior. Para que isso acontecesse, decidiu distribuir melhor o
peso, colocando o piloto no carro em posição reclinada, quase
deitada, deixando a sua linha de visão quase em linha com a parte
mais alta do chassis. Mesmo assim, o piloto via bem e conseguia ter
um bom desempenho quando conduzia. E o piloto principal da Lotus,
Jim Clark, iria ser o principal beneficiado deste chassis.
A estreia acontece na
primeira prova do ano, o GP da Holanda, em Zandvoort. Clark e o seu
companheiro de equipa, Trevor Taylor, tinham só para si os chassis
25, enquanto que as outras equipas iriam ter apenas um modelo
secundário, o 24, algo que alguns dos clientes habituais, como a
Rob Walker Racing, consideraram como uma falta de respeito. Na
corrida, Clark teve problemas e o seu companheiro Taylor acabou no
segundo lugar, atrás do vencedor, Graham Hill.
Mas Clark redimiu-se, vencendo duas corridas depois, em
Spa-Francochamps, repetindo o feito em Silverstone e Watkins Glen,
mas falhou o assalto ao título quando o seu carro teve uma fuga de
óleo na corrida final, na África do Sul. O segundo lugar no
campeonato tinha sido um bom cartão de visita do carro e do piloto,
e o ano seguinte iria ser de domínio, quando o piloto escocês
venceu sete das dez corridas dessa temporada, quatro delas
consecutivas e tornando-se campeão mais do que antecipado.
E ainda
nesse ano, Colin Chapman decidiu usar um chassis 25 modificado
nas500 Milhasde Indianápolis, com Clark ao volante, e um motor
Ford, com o objetivo declarado de incomodar os carros de motor à
frente, ainda presentes no panorama americano. Clark lutou pela
vitória, mas no final, foi batido por Parnelli Jones, tendo o
escocês acabado no segundo lugar.
Na temporada de 1964, Clark usou o chassis 25 durante grande
parte do ano, vencendo em três corridas: Holanda, Bélgica e
Grã-Bretanha, no circuito de Brands Hatch. Contudo, um novo chassis
estava no horizonte, o modelo 33, e Clark passou para ele no GP da
Alemanha, mas não conseguiu manter a cadência de vitórias que tinha
ao longo dessa temporada, acabando por perder o título para o
Ferrari de John Surtees.
Ainda nesse ano, apesar de Chapman inicialmente não querer
vender chassis25 aprivados, em 1964 dois desses chassis foram
vendidos à Reg Parnell Racing, que colocou lá motores BRM de1.5
litros. Apesar da eficácia não ter sido a mesma, deu alguns pontos
à Reg Parnell nesse ano.
Em 1965, já com o chassis 33 em ação, Jim Clark passou a ter uma
temporada vitoriosa, obtendo quase em antecipação o seu segundo
título mundial. Mas no GP de França, disputado no circuito de
Rouen, Clark teve de passar para um modelo 25, pois os modelos 33
não estavam disponíveis para correr. Mesmo com o velho carro, Clark
venceu sem problemas essa corrida, batendo até carros mais
novos…

- Chassis: Lotus 25
- Projetista: Colin Chapman
- Motor: Coventry-Climax de1.5 litros
- Pilotos: Jim Clark, Trevor Taylor, Mike Spence, Peter
Arrundell, Innes Ireland, Mike Hailwood, Richard Attwood, Chris
Amon, Pedro Rodriguez, Moisés Solana, Giacomo "Geki" Russo.
- Estreia: GP da Holanda de 1962
- Corridas: 49
- Vitórias: 14 (Clark 14)
- Pole-Positions: 14 (Clark 14)
- Voltas Mais Rápidas: 18 (Clark 18)
- Pontos: 116 (Clark 93, Arrundell 11, Spence 7, Taylor 7, Amon
2, Attwood 2, Hailwood 1)