Bólides Memoráveis – Lotus 25

Por Paulo Teixeira - Nenhum comentário

Em 2012 vai ser o ano em que se comemora o aparecimento de um dos chassis mais marcantes da história da Formula 1, pois estamos a tratar do primeiro monocoque da história da competição: o Lotus 25. Este é o primeiro dos chassis marcantes desenhados por Colin Chapman, e foi o carro que deu os dois títulos mundiais a Jim Clark, pois ele foi usado pela equipa principal e mais outras equipas nas cinco temporadas seguintes, até 1966.

Holanda 62.jpgA ideia do chassis surge algures em 1961 quando Colin Chapman jantava com Mike Costin, um seu antigo associado que se tinha juntado a Keith Duckworth para construir uma preparadora de motores que vitia a ser a Cosworth. Ambos discutiam a rigidez torsional dos chassis, e à medida que conversavam, Chapman desenhava em guardanapos as ideias que iam tendo. Em poucas linhas, nascia um chassis que iria revolucionar a Formula 1, que iria fazer com que se resolvesse uma problema aparentemente irresolúvel: um chassis tão rígido como leve.

O modelo 25 era três vezes mais rijo do que o modelo 21, que era feito de modo tubular, mas a sua leveza era maior do que o modelo anterior. Para que isso acontecesse, decidiu distribuir melhor o peso, colocando o piloto no carro em posição reclinada, quase deitada, deixando a sua linha de visão quase em linha com a parte mais alta do chassis. Mesmo assim, o piloto via bem e conseguia ter um bom desempenho quando conduzia. E o piloto principal da Lotus, Jim Clark, iria ser o principal beneficiado deste chassis.

França 63.jpgA estreia acontece na primeira prova do ano, o GP da Holanda, em Zandvoort. Clark e o seu companheiro de equipa, Trevor Taylor, tinham só para si os chassis 25, enquanto que as outras equipas iriam ter apenas um modelo secundário, o 24, algo que alguns dos clientes habituais, como a Rob Walker Racing, consideraram como uma falta de respeito. Na corrida, Clark teve problemas e o seu companheiro Taylor acabou no segundo lugar, atrás do vencedor, Graham Hill.

Mas Clark redimiu-se, vencendo duas corridas depois, em Spa-Francochamps, repetindo o feito em Silverstone e Watkins Glen, mas falhou o assalto ao título quando o seu carro teve uma fuga de óleo na corrida final, na África do Sul. O segundo lugar no campeonato tinha sido um bom cartão de visita do carro e do piloto, e o ano seguinte iria ser de domínio, quando o piloto escocês venceu sete das dez corridas dessa temporada, quatro delas consecutivas e tornando-se campeão mais do que antecipado.

Lotus 63.jpgE ainda nesse ano, Colin Chapman decidiu usar um chassis 25 modificado nas500 Milhasde Indianápolis, com Clark ao volante, e um motor Ford, com o objetivo declarado de incomodar os carros de motor à frente, ainda presentes no panorama americano. Clark lutou pela vitória, mas no final, foi batido por Parnelli Jones, tendo o escocês acabado no segundo lugar.  

Na temporada de 1964, Clark usou o chassis 25 durante grande parte do ano, vencendo em três corridas: Holanda, Bélgica e Grã-Bretanha, no circuito de Brands Hatch. Contudo, um novo chassis estava no horizonte, o modelo 33, e Clark passou para ele no GP da Alemanha, mas não conseguiu manter a cadência de vitórias que tinha ao longo dessa temporada, acabando por perder o título para o Ferrari de John Surtees.

Ainda nesse ano, apesar de Chapman inicialmente não querer vender chassis25 aprivados, em 1964 dois desses chassis foram vendidos à Reg Parnell Racing, que colocou lá motores BRM de1.5 litros. Apesar da eficácia não ter sido a mesma, deu alguns pontos à Reg Parnell nesse ano.

Em 1965, já com o chassis 33 em ação, Jim Clark passou a ter uma temporada vitoriosa, obtendo quase em antecipação o seu segundo título mundial. Mas no GP de França, disputado no circuito de Rouen, Clark teve de passar para um modelo 25, pois os modelos 33 não estavam disponíveis para correr. Mesmo com o velho carro, Clark venceu sem problemas essa corrida, batendo até carros mais novos… 

Lotus25.JPG

  • Chassis: Lotus 25
  • Projetista: Colin Chapman
  • Motor: Coventry-Climax de1.5 litros
  • Pilotos: Jim Clark, Trevor Taylor, Mike Spence, Peter Arrundell, Innes Ireland, Mike Hailwood, Richard Attwood, Chris Amon, Pedro Rodriguez, Moisés Solana, Giacomo "Geki" Russo.
  • Estreia: GP da Holanda de 1962
  • Corridas: 49
  • Vitórias: 14 (Clark 14)
  • Pole-Positions: 14 (Clark 14)
  • Voltas Mais Rápidas: 18 (Clark 18)
  • Pontos: 116 (Clark 93, Arrundell 11, Spence 7, Taylor 7, Amon 2, Attwood 2, Hailwood 1) 
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Sobre o Autor

É o "alter ego" de Paulo Alexandre Teixeira, um português que nasceu no Brasil a 12 de Julho de 1976. É jornalista de profissão, formação e convicção, com tendência para escrever compulsivamente quando o assunto é automobilismo. É solteiro, gosta do Benfica (ninguém é perfeito...), e vê Formula 1 desde 1982.

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