Cinco exemplos para recordar: cem corridas… sem vitórias

Por Paulo Teixeira - Nenhum comentário

Todos estes pilotos tem, no mínimo, cem Grandes Prémios no seu palmarés, e todos eles já estiveram no pódio pelo menos por uma vez. Contudo, o lugar mais alto desse pódio sempre lhes foi uma ilusão, por vários motivos: azar, um mau carro ou porque tinham um melhor companheiro de equipa. Os cinco exemplos que se seguem falam de pilotos excelentes do qual lhes faltaram "um bocadinho assim" para subirem ao lugar mais alto do pódio e ouvirem o hino nacional do seu país. 

1 - Chris Amon

Piloto neozelandês, um dos da safra de Bruce McLaren e Dennis Hulme, e provavelmente com potencial para ser campeão do mundo. Foi um feito que Amon tenha feito 108 Grandes Prémios em catorze temporadas, numa altura em que os riscos de morte eram, como sabem, muito altos. Conseguiu cinco pole-positions e três voltas mais rápidas, onze pódios e 98 pontos, espalhados em corridas feitas pela Lola, Ferrari, Matra, Tyrrell, Tecno, BRM e Ensign, entre outros. Construiu a sua própria equipa e fora da Formula 1, venceu provas importantes como as 24 Horas de Le Mans ou a Tasman Series em 1969, entre outros.

E é um cartão-de-visita que inveja qualquer um, excepto numa coisa: nunca venceu em termos oficiais. Tem duas vitórias, mas extra-campeonato: a Race of Champions de 1970, num March, e o GP da Argentina de 1971, num Matra.

Silverstone 71.jpgDele, Mário Andretti disse certo dia que "se fosse um coveiro, as pessoas parariam de morrer", mas para além do azar associado a ele em certas ocasiões, como nos GP's de Itália de 1971 e o GP de França de 1972, onde entre furos e viseiras retiradas o impediram de vencer corridas, o seu comportamento fora de pista, onde não ligou muito para o crescente profissionalismo que se instalava na Formula 1 naqueles tempos, o impediu de ir bem mais longe.

Em 1974 montou a sua própria equipa, mas apesar de algumas soluções técnicas bem engendradas, o resto tornou-se num desastre, e acabou a sua carreira a correr na Ensign, onde acabou por se retirar após o acidente de Niki Lauda, em Nurburgring, em 1976. Ainda tinha 33 anos de idade, mas sentia-se demasiado velho para continuar a correr. Hoje em dia, cuida dos seus negócios na sua Nova Zelândia natal.

2 - Andrea de Cesaris

Nascido em 1959 em Roma, este piloto tem uma particularidade: é o piloto com mais Grandes Prémios sem vitórias. Tem 208 ao seu serviço. E tem também uma fama que veio dos seus primeiros tempos: o de destruidor de carros. Os britânicos não lhe chamavam "Andrea de Crasharis" sem justificação: foi impedido de alinhar no GP da Holanda de 1981 porque a sua equipa ordenou. Tinha destruído três chassis naquele final de semana… e nesse ano, foram 17 os carros que conseguiu destruir, o que lhe valeu um despedimento sumário por parte de Ron Dennis.

México 91 7.jpgFoi um piloto que correu em várias equipas: Alfa Romeo, Ligier, Minardi, Brabham, Rial, Dallara, Jordan, Tyrrell, Sauber. De 1980 a 1994 foi presença constante na grelha de partida, e motivo de temor por todos os pilotos do pelotão. Guy Ligier despediu-o depois de ele ter destruído um chassis no GP da Áustria de 1985, no GP dos Estados Unidos de 1989, teve toda a equipa contra si quando colocou fora de pista… o seu companheiro de equipa, Alex Caffi, entre muitas outras histórias. A sua melhor temporada foi em 1983, quando conseguiu dois segundos lugares pela Alfa Romeo, e conseguiu uma pole-postion e uma volta mais rápida. Hoje em dia, vive no Mónaco e é corretor da bolsa, gozando parte do ano a fazer "windsurf" 

3 - Derek Warwick

A meio da década de 80, Derek Warwick era visto pelos britânicos como o mais sério candidato para ser campeão do mundo. Era incrível pensar assim, quando se tinha alguém como Nigel Mansell, mas este demorou cinco anos para vencer corridas e até lá, os especialistas duvidavam que ele iria vencer corridas ou ser campeão do mundo. Como todos sabemos agora, enganaram-se.

O fato de ter demonstrado a sua velocidade num carro modesto como o Toleman, nas temporadas de 1982 e 83, fez com que a Renault o escolhesse para ser o seu piloto em 1984, pensando que poderia atacar o título mundial. Mas para isso, tinha de ganhar primeiro, e chegou à equipa… na pior altura possível. A fábrica começava a desinvestir na sua aventura na Formula 1, e apesar dos quatro pódios em 1984, não vencera qualquer corrida. Em 1985 foi pior, apenas teve cinco pontos e nenhum pódio.

Silverstone 93.jpgNo final de 1985, a Renault retira-se e Warwick testou na Lotus, com esperança de obter o lugar deixado vago por Elio de Angelis. Contudo, o piloto brasileiro veta a sua contratação, e Warwick fica sem lugar no inicio de 1986. Recupera o posto a meio do ano, na Brabham, após a morte de Elio de Angelis, mas a equipa estava numa má situação, por causa do arriscado projeto da Brabham BT55.

Após isso, teve passagens pela Arrows e Lotus, mas não mais obteve um pódio. Acabou por ser mais feliz nos Sport-Protótipos, ao serviço da Jaguar e da Peugeot, vencendo as 24 Horas de Le Mans em 1992. Hoje em dia, é o presidente do BRDC. 

4 - Eddie Cheever

Brands Hatch 82 2.jpgEddie Cheever não é um americano vulgar. De origem ítalo-americana, nascido no Arizona, e de origem índia, mudou-se para Itália em criança e cresceu por lá. A sua vida foi como a de Mário Andretti, mas ao contrário. Interessou-se pelo automobilismo quando foi ver uma corrida em Monza, e nos anos 70 subiu todas as escadas dos escalões de formação até chegar à Formula 1 em 1978, aos 20 anos, numa Hesketh. Dois anos depois, foi para a Osella, sem êxito significativo, mas depois continuou a pilotar para a Tyrrell, Ligier, Renault, Alfa Romeo, Lola-Haas e Arrows, conseguindo nove pódios e 70 pontos.

O mais perto que teve da vitória foi em 1982 e 83, quer pela Ligier, onde foi melhor do que Jacques Laffite, e na Renault, onde foi sexto classificado, como segundo piloto de Alain Prost na marca do losango. Contudo, a passagem pela Alfa Romeo foi um desastre, o que colocou fora da Formula 1 em 1986, apesar de um "one-off" pela Lola-Haas, antes de voltar para a Arrows.

A sua carreira em paragens americanas, nos anos 90, teve mais sucesso do que na Formula 1. Cedo montou a sua própria equipa e conseguiu algo incrível, que foi vencer as 500 Milhas de Indianápolis em 1998, sendo um dos melhores pilotos da era IRL. Também teve uma passagem pela CART onde curiosamente… nunca ganhou qualquer corrida. 

5 - Nick Heidfeld

Em 1999, muitos olhavam Nick Heidfeld como um sucessor válido de Michael Schumacher, após o seu título na Formula 3000. Apesar de uma partida em falso na Prost, em 2001 estava na Sauber, uma equipa que o iria acompanhar ao longo da sua carreira, em várias ocasiões. Foi lá conde conseguiu o seu primeiro pódio, e depois, a sua ligação com a BMW, que o acolheu depois na Williams, em 2005, fez com que tivesse entre mãos um equipamento vencedor.

Heidfeld 11 2.jpgNesse período de tempo, conseguiu uma pole-position e mais de uma dezena de pódios, quer pela Williams, quer pela BMW Sauber, mas faltou-lhe a capacidade de vencer. E quando a oportunidade surgiu, quem a aproveitou foi um dos seus companheiros de equipa, o polaco Robert Kubica. Ao todo, obteve treze pódios, uma pole-position e duas voltas mais rápidas, e chegou a acabar 41 corridas consecutivas, mas faltou-lhe aquilo que são feitos os pilotos: ganhar.

No final de 2009, a BMW abandona a competição e Heidfeld fica sem lugar para correr, tornando-se suplente de luxo na Mercedes. No final de 2010 substitui Pedro de la Rosa na Sauber e ainda consegue alguns bons resultados, e em 2011 substitui o seu ex-companheiro Robert Kubica na Renault, onde consegue um pódio, mas antes do GP da Belgica, a Williams dispensa os seus serviços. 

No inicio de 2012, o piloto de 35 anos não conseguiu arranjar qualquer lugar no pelotão da Formula 1, apesar da sua imensa experiência, tanto quanto outros veteranos, como Michael Schumacher ou Pedro de la Rosa. Pode ser que haja outra oportunidade inesperada como em 2011, mas toda a gente está convencida que a sua carreira na categoria máxima do automobilismo teve agora o seu fim.

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Sobre o Autor

É o "alter ego" de Paulo Alexandre Teixeira, um português que nasceu no Brasil a 12 de Julho de 1976. É jornalista de profissão, formação e convicção, com tendência para escrever compulsivamente quando o assunto é automobilismo. É solteiro, gosta do Benfica (ninguém é perfeito...), e vê Formula 1 desde 1982.

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