Cinco exemplos para recordar: “Rookies do Ano”

Por Paulo Teixeira - Nenhum comentário

A expressão "Rookie do Ano" é normalmente usada pelos americanos para premiar o piloto que conseguiu os melhores resultados na competição logo no seu primeiro ano de carreira. Na IndyCar Racing, e anteriormente na CART, há um prémio que recompensa esse tipo de pilotos, algo que na Formula 1 e noutras competições, se comemora de forma mais simbólica.

Como acontece nos vinhos em tempo de colheita, há bons e maus anos. Em termos de "rookies", a Formula 1 teve ao longo da sua história pilotos que causaram impressão logo na sua primeira temporada, e até logo na sua primeira corrida. Desdes cinco casos que apresento logo abaixo, em três deles tem algo em comum: entraram na Formula 1 com a temporada em andamento, adaptando-se com uma facilidade impressionante à competição. Assim sendo, eis cinco exemplos de pilotos que ao longo da história da Formula 1, causaram boa impressão desde a primeira corrida:

1 - Bruce McLaren

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O jovem neozelandês Bruce McLaren era um talentoso aluno de engenharia dos arredores de Auckland, na Nova Zelândia. Filho de um mecânico, cedo descobriu que tinha muito jeito para afinar carros. Mas também tinha talento o suficiente para guiá-los, tanto que no final de 1957, impressionou os locais e alguns pilotos estrangeiros, como Stirling moss e Jack Brabham, no circuito de Ardmore, palco do GP da Nova Zelândia.

No inicio de 1958 vaio para a europa, e para a Cooper de Jack Brabham, apesar de ter tido duas corridas nessa temporada, pilotando um Formula 2, na temporada seguinte mostrou talento suficiente para ir correr num Formula1 apartir do GP de França, a quarta prova do ano. E logo aí, terminou a prova na quinta posição. Na corrida seguinte, o GP da Grã-Bretanha, teve a sua primeira subida ao pódio e a sua primeira volta mais rápida. Depois teve três retiradas consecutivas até à prova final, no circuito americano de Sebring. 

Nessa corrida, tudo indicava que Jack Brabham iria conseguir vencer a corrida e o título mundial, e McLaren, depois de ver o seu rival Stirling Moss desistir, estava no segundo posto quando na volta final, o carro de Brabham ficou sem gasolina. Desesperado, o australiano tornou de empurrar nos400 metrosfinais até à meta para garantir o quarto lugar e o título mundial. McLaren, surpreso, ia parar para assistir Brabham, mas ele disse para continuar e assim cortou a meta em primeiro lugar, com Maurice Trintignant logo atrás. Inesperadamente, McLaren tornava-se aos 22 anos e 80 dias, no piloto mais jovem a vencer uma corrida de Formula 1.

No final da temporada de 1959, McLaren fica na sexta posição do campeonato, com 16,5 pontos, e prometia ser um piloto de ponta para os anos seguintes. Quanto ao seu recorde, foi apenas batido em 2003, quando Fernando Alonso conseguiu isso no GP da Hungria. Por essa altura, infelizmente, Bruce não estava mais vivo para ver o seu recorde a ser batido, pois tinha sofrido o seu acidente mortal na pista britânica de Goodwood, a 2 de Junho de 1970. Mas a equipa que fundara cinco anos antes, a McLaren, vivia forte e saudável, tornando-se nas décadas seguintes numa das equipas míticas da história da Formula 1.

2 - Jackie Stewart

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Um dia, no inicio de 1964, Ken Tyrrell, um antigo negociante de madeiras, ouviu falar por parte do diretor do circuito de Goodwood sobre o irmão de um dos pilotos da Ecurie Ecosse chamado Jimmy Stewart. Esse rapaz, então com 25 anos, chamava-se Jackie e da conversa, Tyrrell ficou suficientemente impressionado para o chamar num teste num Cooper de Formula 3, que estava a ser testado nesse dia por Bruce McLaren. Stewart cedo fez tempos melhores que McLaren, e este respondeu, melhorando os seus tempos, e Stewart voltou ao carro e... bateu-os. Foi mais do que suficiente para o contratar na sua equipa e tornar-se, meses depois, no campeão da Formula 3 britânica.

No final desse ano, a BRM ficou impressionado e decidiu contratá-lo por quatro mil libras por temporada - uma verdadeira fortuna em 1965. E Stewart não desiludiu: na primeira corrida, na Africa do Sul, acabou na sexta posição, conseguindo o seu primeiro ponto, e na corrida seguinte, no Mónaco, acabou na terceira posição, chegando ao seu primeiro pódio da carreira. Em Spa-Francochamps, palco do GP da Belgica, termina no segundo lugar, atrás de Jim Clark, e repete a proeza em Zandvoort, palco do GP da Holanda.

Cedo, chamam aos escoceses Clark e Stewart de "Batman & Robin", mas é o mais jovem que impressiona tudo e todos. Pontua nas seis primeiras corridas do ano, mas o auge acontece no GP de Itália, no circuito de Monza, onde após uma luta com Clark e o seu companheiro de equipa, Graham Hill, consegue alcançar a sua primeira das 27 vitórias da sua carreira.

No final do ano, Stewart terminou a temporada na terceira posição, com 34 pontos, e tornou-se não só num dos melhores "rookies" da década, como um dos melhores pilotos da sua geração, especialmente a partir de 1968, altura em que se voltou a unir ao seu antigo patrão da Formula 3, Ken Tyrrell. Os seus três títulos mundiais e a grande maioria das suas vitórias serão conquistadas nessa aliança, que perdurará até ao final da carreira do escocês, em 1973.

3 - Clay Regazzoni

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Em1970, aFerrari tinha um "rodízio" de pilotos que, a par de Jacky Ickx, lhes concederia uma oportunidade de correr nos seus bólidos, a par das suas carreiras na Endurance, por exemplo. Nesse ano, três pilotos tiveram essa hipótese: o ítalo-americano Mário Andretti, o italiano Ignazio Giunti e o suíço (mas nascido no cantão de Ticino) Gianclaudio "Clay" Regazzoni.

Começou a sua carreira incrivelmente tarde, aos 24 anos, mas teve tempo mais do que suficiente para demonstrar o seu enorme talento, vencendo o Europeu de Formula 2 em 1970, ao volante de máquinas como Tecno ou Ferrari. Em meados de1970, aFerrari deu a chance a Regazzoni no GP da Holanda, em Zandvoort, onde esteve muito bem, sendo sexto nos treinos e terminando no quarto lugar na corrida, marcada pelo acidente mortal de Piers Courage. Voltou a correrem Brands Hatch, a sétima prova do campeonato, voltando a pontuar e conseguiu o primeiro pódio na Auistria, ao ser segundo classificado, atrás de Jacky Ickx.

Contudo, a sua coroa de glória nessa temporada foiem Monza. Numacorrida marcada pela morte de Jochen Rindt, na qualificação, Regazzoni foi bem mais veloz ao longo do final de semana do que Jacky Ickx, e aproveitou a avaria do piloto belga para vencer tranquilamente a sua corrida. Logo na casa espiritual da Ferrari e à sua quinta corrida da carreira! No final do ano, ainda iria ter mais um pódio e uma pole-position, no México, bem como três voltas mais rápidas e o terceiro lugar do campeonato, com 33 pontos.

Os anos seguintes mostraram que Regazzoni era um dos mais velozes do pelotão e um dos mais marcantes pilotos da década, mas nunca venceu o título mundial. Para além da Ferrari, passou pela BRM, Ensign, Shadow e Williams, onde deu à equipa a sua primeira vitória na Formula 1, e a sua última da carreira, aos 40 anos. Teve um final abrupto em 1980 quando bateu forteem Long Beach, ficando paralisado da cintura para baixo. Mas não ficou parado, continuou a competir e a ser comentador na RAI até morrer em 2006, vítima de um acidente de viação em Bolonha.

4 - James Hunt

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Quando fez 18 anos, o jovem britânico, filho de um corretor da bolsa bem sucedido, disso aos seus pais os seus planos futuros: "Todos os vossos problemas estão resolvidos, eu vou ser piloto de competição". O inicio foi duro e destruiu muitos carros, ganhando logo a alcunha de "Shunt" (Desastre). Mas em 1972, cruza-se com o excêntrico Alexander Hesketh, um nobre britânico com fama de farrista, e o seu destino mudou. No inicio de 1973, as coisas corriam mal na Formula 2 quando Hesketh teve a ideia de ir correr na Formula1. Arazão? "Se vamos falhar, então que falhemos na Formula 1, que é mais mediático".

Compraram um chassis March e contrataram um jovem Harvey Postlethwaithe para ajudar a modificar o carro ao longo da termporada. Estrearam-se no Mónaco, onde desistiu a duas voltas do fim, mas classificou-se na nona posição, e pontuou em França, acabando no sexto posto. Em Silverstone, sobreviveu à carnificina da primeira volta, provocada por outro jovem fogoso, de seu nome Jody Scheckter, e acabou no quarto lugar, mas com a volta mais rápida. O seu primeiro pódio aconteceu em Zandvoort, numa corrida marcada pelo acidente fatal de Roger Williamson, chegando ao fim na terceira posição, atrás dos Tyrrell de Jackie Stewart e Francois Cevért.

Na última prova do ano,em Watkins Glen, Hunt, num carro crescentemente veloz e competitivo, lutou pela vitória contra o Lotus de Ronnie Peterson, não conseguindo por 668 centésimos de segundo, mas marcou de novo a volta mais rápida. No final do ano, tinha conseguido 14 pontos e o oitavo lugar do campeonato.

As performances de Hunt e Hesketh tinham maravilhado toda a gente, e muitos acreditavam que ele iria quebrar a malapata que durava desde 1964, com o título de John Surtees. Isso aconteceria em 1976, quando ele já estava na McLaren, num disputa pelo título contra o Ferrari de Niki Lauda, mas depois disso, não mais voltou à antiga forma. Após uma curta passsagem pela Wolf, retirou-se em 1979 e tornou-se comentador da BBC. Morreu em junho de 1993.

5 - Lewis Hamilton

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A história de Lewis Hamilton é conhecida: foi uma criação da McLaren, apoiado desde o inicio por Ron Dennis, a sua carreira nos monolugares foi veloz e altamente vitoriosa, com títulos na Formula Renault 2.0

Em2007, asua contratação foi anunciada com alguma pompa pela McLaren, mas poucos acreditavam que iria dar nas vistas, especialmente contra o seu companheiro de equipa, o espanhol Fernando Alonso. Pensava-se que haveria uma hierarquia, mas logo desde a primeira corrida que Hamilton era um caso à parte. Em Melbourne subiu ao pódio, na terceira posição, e nas oito corridas seguintes, acabou as corridas sempre nas três primeiras posições, demonstrando uma rapidez e constância impressionantes.

Em Montreal, palco do GP do Canadá, conseguiu por fim a sua primeira vitória da carreira - a primeira para um corredor mestiço - algo que repetiu na prova seguinte, em Indianápolis, após uma ultrapassagem no inicio da corrida a Alonso. Contudo, os seus resultados começavam a incomodar o seu companheiro, que achava que estas performances começavam a incomodá-lo no seu estatuto de primeiro piloto, pois Hamilton era "um produto da casa", apoiado e financiado por Ron Dennis. E para piorar as coisas, o escândalo "Stephneygate" ameaçava a equipa.

As tensões explodiram no verão de 2007, quando o escândalo rebentou e a McLaren foi castigada com uma multa recorde de cem milhões de euros e a sua exclusão do Mundial de Construtores, e dentro da equipa, Alonso estava em colisão com Hamilton, queixando-se de não ter tratamento favorável, como aparentemente tonha sido acordado. No final do ano, Hamilton lutou pelo título e até à última corrida, no Brasil, poderia ser coroado como um inédito campeão do mundo, mas nessa corrida, tudo correu mal e quem venceu foi Kimi Raikkonen.

Contudo, a Formula 1 tinha descoberto um grande talento e a McLaren um piloto para uma geração inteira, vindo a provar isso quando venceu o título na temporada seguinte.

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Sobre o Autor

É o "alter ego" de Paulo Alexandre Teixeira, um português que nasceu no Brasil a 12 de Julho de 1976. É jornalista de profissão, formação e convicção, com tendência para escrever compulsivamente quando o assunto é automobilismo. É solteiro, gosta do Benfica (ninguém é perfeito...), e vê Formula 1 desde 1982.

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