Ao longo da história da Formula 1 houve pilotos que ficaram
marcados não só pelos resultados que conseguiam na pista, mas
também por aquilo que levavam na sua cara, sejam eles bigodes ou
outros pêlos faciais, que entravam e saiam de moda conforme as
épocas. Sobre as barbas, deixo isso para outro dia, mas hoje
concentro-me nos bigodes, aquele fio de pêlo facial que deixamos
crescer entre o nariz e a boca, aparado ou farfalhudo, nos faz ser
aquilo que somos um pouco. E eis cinco dos bigodes bem sucedidos da
categoria máxima do automobilismo de pista:
1 - Jo Siffert
Jo Siffert foi um
piloto que lutou muito para chegar onde chegou. Começou na Formula
1 em 1962, com carros privados, alguns inscritos por ele mesmo,
outros por Rob Walker, o herdeiro da Johnny Walker, nos seus
famosos carros azuis com risca branca, simbolizando a sua Escócia
natal. Em paralelo, conseguia sucessos na Endurance, a bordo de
máquinas Porsche, tanto que acabou na mais famosa equipa de então,
a John Wyer Racing, que tinha como patrocínio da petrolífera
Gulf.
Foi numa idade madura que alcançou os seus sucessos: Em 1968,
num Lotus 49 inscrito pela Rob Walker Racing, venceuem Brands
Hatch, batendo o Ferrari de Chris Amon, dando ao velho escocês a
sua última vitória na Formula 1. Na Endurance, apesar de nunca ter
vencido as 24 horas de Le Mans, fez uma grande parceria com Pedro
Rodriguez, que por vezes roçava a rivalidade. Em 1971, ambos se
juntaram na BRM e conseguiram sucessos, mas foi de pouca (e
trágica) duração. Em julho, Rodriguez morria em Norisring, um mês
antes de Siffert conseguir uma vitória convincente em Zeltweg, no
GP da Austria.
O suíço acabou a temporada no quinto lugar, a sua melhor
classificação de sempre. Esperava repetir os sucessos em 1972, mas
não chegaria lá vivo. Semanas antes, a 24 de outubro de 1971,
sofria um acidente mortal na Victory Race,em Brands Hatch.
2 - Graham Hill
Bigode "à David Niven", um dos atores britânicos mais conhecidos
do seu tempo, Graham Hill começou a sua carreira tarde, em 1956,
contava ele... 27 anos. Contudo, ficou nos livros de história não
só por conseguir dois títulos mundiais de pilotos e ter vencido por
cinco vezes o GP do Mónaco, um recorde superado por Ayrton Senna.
Também ficou na história por ter corrido durante 17 temporadas,
entre 1958 e 1975. Um feito, numa era onde as mortes do
automobilismo eram demasiado frequentes.

Começou a sua carreira na Lotus, mas cedo passou para a BRM, onde
em 1962 deu os primeiros sucessos à marca. No final desse ano,
depois de uma luta contra o Lotus de Jim Clark, Hill bateu-o na
última prova do campeonato, na Africa do Sul. Piloto muito regular
e consistente, voltou para a Lotus em 1967, secundando Clark e
fazendo uma das melhores duplas dos anos 60. O que foi bom, pois no
ano seguinte, quando Clark morre vítima de um acidente de Formula
2, em Hockenhim, teve a dura tarefa de unir a equipa à volta de um
objetivo, de vencer o título de pilotos.
Em 1969, com 40 anos, vence no Mónaco pela quinta vez, mas sofre
um acidente graveem Watkins Glen, quebrando ambas as pernas. A
partir dali a sua carreira foi diminuindo, arrastando-se nas pistas
até 1973, quando decidiu criar a sua própria equipa, com o apoio
dos cigarros Embassy. Apenas largou de vez a pilotagem em 1975,
quando falhou a qualificação para o GP do Mónaco. A partir dali,
dedicou-se à sua equipa, mas a aventura foi de curta duração. Ele,
o seu piloto Tom Brise e mais três membros da sua equipa morreram
num acidente no norte de Londres a 29 de novembro de 1975.
3 - Clay Regazzoni
Contêmporaneo de Jo Siffert e com um bigode que faz lembrar o
Super Mário, apenas entrou na Formula 1 em 1970, quando já contava
com... 30 anos. Mas foi uma entrada de leão. Ao serviço da Ferrari,
pontuou na sua primeira corrida conseguiu um pódio na sua quarta e
venceu na quinta. E acabou ano na terceira posição, não muito longe
de Jacky Ickx e de Jochen Rindt.
Essa entrada de leão fez pensar que ele seria sempre um sério
candidato ao título. Continuou a vencer nos anos seguintes, mas em
1973, chocou muita gente ao aceitar correr na BRM por uma mala
cheia de dinheiro. Não fez grandes resultados, mas lá conheceu um
dos seus companheiros de equipa, um jovem austríaco chamado Niki
Lauda. No final desse ano, Regazzoni regressa à Ferrari e recomenda
Lauda ao "Commendatore", abrindo as portas a uma nova era de
domínio do "Cavallino Rampante". Mas aos poucos, Lauda superou
Regazzoni e este, no final de 1976, sai da equipa.

Sem lugar nas equipas da frente, acaba por correr na Ensign, e
depois na Shadow. No final de 1978, Frank Williams, agora cheio dos
petrodólares sauditas, convida Regazzoni para correr na sua equipa,
ao lado de Alan Jones. Com quase 40 anos, ganha uma segunda vida e
dará à Williams a sua primeira vitória de sempre no GP
britânico.
Em 1980, continua a correr, regressando à Ensign. Mas será dse
pouca dura, pois sofre um acidente na corrida de Long Beach,
deixando-o paralisado de cintura para baixo, terminando os seus
dias na Formula 1. Mas não fica parado e continua a correr por
outros meios. Participa no Rally Dakar num camião e em ralis de
automóveis antigos, ao mesmo tempo que é comentador na RAI. Acaba
por morrer num acidente de automóvel numa auto-estrada italiana a
15 de dezembro de 2006, quando voltava do Salão Automóvel de
Bolonha.
4 - Keke Rosberg
Na passagem dos
anos 70 para os anos 80, Regazzoni cruzou-se nas pistas com um dos
pilotos mais agressivos - mas também mais subestimados - daquele
tempo: o finlandês Keijo "Keke" Rosberg. Chegou tarde à Formula 1,
aos 29 anos, pela Theodore, para depois passar pela Wolf em 1979,
em substituição do britânico James Hunt.
Louro, fumador de bigode farfalhudo, Rosberg era um piloto
esforçado, agressivo e intimidante. Mostrou isso em 1980, quando a
Wolf foi vendida e depois fundida com a Fittipaldi. Em duas
corridas, o finlandês tinha conseguido um pódio e batido o
brasileiro bicampeão do mundo, e isso foi algo que pode ter
precipitado a decisão de se retirar. Penou um pouco depois, mas em
1982 teve a oportunidade da sua vida ao ir para a Williams, onde
ali demonstrou-o em todo o seu esplendor.
As circunstâncias daquela temporada podem o ter colocado na luta
pelo título e o ter conquistado com apenas uma vitória, mas na
pista era aguerrido e todos o temiam, especialmente se ele estava
mesmo atrás. Um bom exemplo foi que Elio de Angelis conseguiu
aguentá-lo "in extremis" na Austria, para conseguir a sua primeira
vitória da sua carreira.
Depois do seu título continuou a mostrar o seu estilo na
Williams, seja quando tentava dar o máximo com um motor Cosworth
progressivamente ultrapassado pelos Turbo, em 1983, seja depois,
quando teve os motores Honda. Retirou-se em 1986, depois de uma
temporada na McLaren, ao lado de Alain Prost, o unico companheiro
de equipa que não conseguiu bater.
5 - Nigel Mansell
O "brutânico" também foi um dos bigodes mais reconhecíveis da
década de 80, e por um ano, em 1985, ele e Rosberg foram
companheiros de equipa na Williams-Honda. Mas a sua carreira tinha
começado bem antes, na Lotus. Colin Chapman tinha-o em elevada
estima e queria fazer dele o mesmo que fizera a Clark, Rindt,
Fittipaldi, Andretti ou Peterson: um carro campeão. Não teve tempo
para fazer, e passou um mau bocado quando ele morreu, em dezembro
de 1982.

Em 1985, foi substituído por Ayrton Senna e ele rumou para a
Williams. Durante muito tempo, nem os próprios britânicos
acreditavam nele, pois os anos passavam e ele não vencia corridas.
Mas depois de vencer no GP da Europa daquele ano,em Brands Hatch,
tudo mudou, e em poucos meses se transformou em candidato numero um
ao título, tendo como companheiro - e principal adversário - o
brasileiro Nelson Piquet.
E foi em 1986 que demonstrou aquilo que era famoso: a sua
rapidez e a sua brutalidade. Era capaz de dar tudo nas corridas,
mas muitas vezes o carro pagava a sua impulsividade. Perdeu algumas
corridas certas, como no México, devido à forma como tratava o seu
carro. Na Austrália, a última corrida do campeonato, foi vítima de
um pneu que não aguentou a distância, fazendo com que perdesse o
título para Alain Prost.
Nos anos seguintes, quer na Williams, quer na Ferrari, a sua
impulsividade fez perder corridas certas, como em 1990, no Japão,
ou no ano seguinte, no Estoril. Por fim, acabou por vencer o
campeonato, em 1992, quando voltou à Williams, numa temporada
dominadora para os seus lados, e depois foi correr na IndyCar, onde
conseguiu a proeza de ter ao mesmo tempo ambos os títulos. Tudo
isto quando ele já tinha 40 anos.