Mas famílias que tenham competido na F1 não são assim tantas.
Doze para ser exacto. E encontrar uma ordem para falar de todas não
é fácil porque muitos tiveram longas carreiras. Por isso vou partir
estes artigos por famílias. A primeira? A família Hill.

Graham e Damon Hill em 1962 com um modelo do Lotus desse
ano
Damon Hill
nasceu em 1960, dois anos antes do seu pai vencer o primeiro de
dois campeonatos. Graham Hill era um piloto da primeira
geração, chegou à categoria em 1958 e era uma personalidade
conhecida em Inglaterra por altura do nascimento de Damon.
Graham estreou-se ao volante de um carro de corridas em 1954,
com um Cooper 500 de Fórmula 3, por causa de uma promoção de um
clube automóvel em Brands Hatch, e a partir daí tomou-lhe o gosto.
Juntou-se à Lotus como mecânico e acabou por ter a oportunidade de
se estrear ao volante no Grande Prémio do Mónaco, que não terminou
devido a um problema no eixo de direção.
Damon Hill
começou por interessar-se por motas, tal como seu pai. Para desenho
do capacete escolheu o mesmo que Graham, azul muito escuro (e não
preto) com cinco riscas brancas, que representam remos. O pai de
Damon tirou a inspiração do clube de remo de Londres, onde se
inscreveu muito antes de sequer pensar em correr, em 1952.
Participou em corridas até 1954 e apesar de não remar depois disso
continuou a apoiar o desporto.

A estreia de Graham Hill no Mónaco e na F1, em 1958 com
um Lotus
Damon Hill
trocou as motas pelos carros por causa da mãe, que achava que as
corridas de motos eram muito perigosas. Hill Jr. inscreveu-se então
numa escola para pilotos profissionais em França, onde mostrou uma
"aptidão acima do normal". Subiu de categoria através da Formula
Ford e mudou-se para a Fórmula Três Britânica, onde conseguiu
apenas três vitórias em três anos.
De acordo com a biografia no site oficial da Fórmula 1, os seus
"óbvios atributos"e trabalho árduo impressionaram a Williams ao ponto de
o contratarem como piloto de testes em 1991. No ano seguinte
juntou-se à decadente Brabham, mas não chegou a terminar o
campeonato pela equipa, que faliu e desistiu depois do GP da
Hungria. Damon continuava a ser piloto de testes da Williams e
em 93, quando Riccardo Patrese se mudou para a Benetton, Hill
viu-se como companheiro de equipa de Alain Prost. Aos 33 anos e com apenas duas
corridas na F1, Damon Hill aproveitou a temporada de 1993 e
venceu três corridas, terminando o ano em terceiro.
O pai de Damon estreou-se pela Lotus em 58 mas mudou-se para a
inglesa BRM em 1960. Pode dizer-se que na altura era um passo
discutível na carreira porque que a equipa, em dez anos de
existência, nunca tinha ganho um campeonato e estava na altura em
crise. Graham
Hill terminou o campeonato de 1961 em 16º classificado. Mas a
equipa melhorou significativamente o carro, muito graças ao novo
motor V8 e à promoção de Tony Rudd como engenheiro-chefe
responsável pelo desenvolvimento do monolugar, e Graham chegou pela
primeira vez ao primeiro lugar do pódio na Holanda, em 1962. Nesse
ano, com quatro vitórias em nove corridas venceu o seu primeiro
campeonato. O único da BRM.
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Graham Hill em 1962, ano em que venceu o seu primeiro
campeonato
Graham Hill
já era um piloto de renome depois do seu campeonato e tornou-se
famoso pela sua tenacidade nas pistas e alegria fora delas. Foi
nesta altura que comprou um avião. A BRM estava novamente a piorar
e era frequente ver Hill reclamar sobre o seu carro. Em 1966 venceu
a Indy 500 num Lola-Ford. Trocou de equipa para a Lotus no ano
seguinte. Jim
Clark era o primeiro piloto da equipa, mas a morte de Clark
numa corrida de Fórmula 2 obrigou o inglês a assumir a
responsabilidade de liderar a equipa. Ele não só a assumiu como
venceu o seu segundo campeonato em 1967.
O seu filho iria demorar mais tempo a vencer um campeonato de
F1. No final de 1993 Alain Prost retirou-se da F1 e Ayrton Senna
passou a companheiro de equipa de Damon. No ano seguinte sofreu um
destino semelhante ao do seu pai, com a morte de Senna na terceira
prova do campeonato de 94. Com apenas uma temporada de experiência
liderou uma equipa de topo com o seu novo companheiro, David
Coultard. Seis vitórias, um segundo lugar na geral e uma
rivalidade com Michael Schumacher foram o
resultado. Fora das pistas pai e filho também tinham bastante em
comum.

Damon Hill embate em Schumacher na Austrália, em
1994
Damon tocava numa banda de punk-rock e tinha um tipo de humor
sarcástico apesar de ser bem-falante. O pai gostava mais de fazer
charme com as mulheres e de dançar em cima de mesas mas ao fim ao
cabo, quando chegava à altura de correr, tanto pai como filho se
mostravam focados na tarefa.
Em 1969 Graham
Hill teve um grande acidente no GP dos EUA, onde partiu um
joelho e deslocou outro. A partir daí nunca mais regressou à antiga
forma na F1 mas venceu as 24 Horas de Le Mans em 1972, tornando-se
o único piloto a vencer Mónaco, Le Mans e
Indianápolis, a chamada "Tripla Coroa" ao estilo das corridas de
cavalos.
Na Williams as
coisas começaram a não correr de feição a Damon. A equipa começou a
perder confiança no seu piloto depois de Hill ter terminado a
temporada de 1995 em segundo, atrás de Schumacher pela segunda vez,
naquele que era considerado o melhor carro do pelotão. No ano
seguinte venceu o campeonato com oito vitórias em 16 provas, mas já
era tarde demais. A Williams substituiu Hill.

Damon Hill no FW18 de 1996, ano em que venceu o
campeonato
Graham criou a sua própria equipa de F1, a Embassy Hill, em
1973. Hill era o principal piloto da Embassy mas não conseguiu mais
que um ponto em 74, com um sexto lugar. Dois anos depois, após ter
falhado a qualificação para o GP do Mónaco, Graham Hill
terminou a sua carreira ao volante. No dia 29 de novembro de 1975,
ao regressar do circuito Paul Ricard, o avião pilotado por Graham
Hill despenhou-se matando Hill e outros cinco tripulantes ligados à
Embassy Hill. A equipa não participaria mais na F1.
Damon Hill
passou 1997 na Arrows e depois na Jordan, onde alcançou a única
vitória da equipa, mas no final de 1999 terminou a carreira na F1.
Continua ainda hoje ligado aos carros, foi presidente da BRDC
(Clube dos Pilotos de Corrida Britânicos) e é uma personalidade
conhecida na Grã-Bretanha. Em 2012 faz parte da equipa de
comentadores da Sky Sports.