Quatro meses após
o final da temporada, em paragens australianas, a Formula 1 fazia
um regresso esperado a uma velha paisagem, mas num novo ambiente: a
África do Sul. Após sete anos de ausência, devido às sanções
desportivas ao regime do "apartheid", o pelotão regressa a um pais
em transformação, com um regime a desmoronar e uma agitada
transição para uma democracia multipartidária, que iria resultar
nas eleições livres que iriam acontecer dali a dois anos, em Abril
de 1994.
Mas quando a formula 1 chega a Kyalami, é um circuito diferente
que os espera. Parte dela, que continham as boxes, a reta da meta e
curvas como a Crawthorne, tinham desaparecido para darem lugar a um
complexo habitacional, e os organizadores aproveitaram parte do
circuito para construir uma nova secção, de média velocidade. E
isso tiraria alguma vantagem aos oito dos 32 pilotos presentes que
iriam repetir a passagem por aquelas paragens.
No pelotão da Formula1, agrande noticia era que Alain Prost iria
fazer uma temporada sabática, não participando naquele ano. Outros
que se tinham despedido das pistas eram o japonês Satoru
Nakajima, que voltara ao Japão, e Nelson Piquet, que decidira
tentar a sorte na América, mais concretamente as500 Milhasde
Indianápolis. E a Pirelli, devido a problemas financeiros
decorrentes de mais uma recessão a nível mundial, decidira
abandonar as competições, deixando a Goodyear em situação de
monopólio.

Nas duas equipas que tinham dominado boa parte da temporada
anterior, McLaren e
a Williams, não
havia modificações no seu alinhamento: Ayrton Senna e Gerhard Berger na equipa de
Woking, Nigel Mansell e Riccardo Patrese na de Grove. E a primeira
ainda teria de usar o chassis antigo, pois o novo só se estrearia
no Brasil, a terceira prova do ano. Já a Williams tinha a
versão B do chassis FW14 pronta para estrear. Já a Ferrari,
terceira força em 1991, parecia ter desenhado um chassis
"revolucionário", e tinha contratado o italiano Ivan Capelli
para correr ao lado do jovem Jean Alesi, agora atirado para o estatuto de
primeiro piloto da Scuderia.
Na Benetton, também se apostava no jovem alemão Michael
Schumacher e para o seu lugar iria um veterano, o britânico
Martin Brundle. A Tyrrell tinha trocado os motores Honda pelos
Ilmor, e mudara totalmente o seu alinhamento, contratando o
italiano Andrea de Cesaris e o francês Olivier
Grouillard. A Jordan tinha sido a grande surpresa de 1991,
conseguindo o quinto lugar no Mundial de Construtores. E na
temporada seguinte, tinha conseguido o acordo da Yamaha, que no ano
anterior tinha estado na Brabham. Tinha uma dupla totalmente nova,
constituída pelo italiano Stefano Modena e pelo brasileiro Maurício
Gugelmin.
Na Ligier, a grande novidade era a troca de motor, que passou
dos Lamborghini para os Renault, mantendo a dupla constituída pelo
belga Thierry Boutsen e pelo francês Eric Comas. E a
Footwork-Arrows tinha novo motor, os Mugen-Honda, e o veterano Michele
Alboreto tinha a companhia do japonês Aguri Suzuki. A Lotus
tinha trocado de motor, para os Ford HB, e estava a desenhar um
novo chassis. Manteve a dupla do final do ano anterior, constituída
por Johnny Herbert e pelo finlandês Mika Hakkinen, enquanto que a Larrousse
voltava a ter motores Lamborghini, com uma dupla, constituída pelo
belga Bertrand
Gachot e por um novato, o japonês Ukyo Katayama.

Dallara e Minardi tinham trocado de motores, com a primeira a
ficar com os Ferrari que tinham pertencido à segunda na temporada
anterior, enquanto que a equipa de Faenza recebia motores
Lamborghini V12. Em relação a pilotos, Pierluigi Martini também
tinha feito uma troca semelhante, passando para Minardi para a
Dallara, para fazer companhia ao finlandês J.J. Letho. Na Minardi,
o italiano Gianni Morbidelli tinha a companhia de outro estreante,
o brasileiro Christian Fittipaldi, filho de Wilson e sobrinho de
Emerson. E na Fondmetal, a equipa tinha-se alargado para duas
viaturas, com o italiano Gabriele Tarquini a ter a companhia do
suíço Andrea Chiesa.
Duas equipas que estavam em desagregação eram a March e a
Brabham. A primeira, depois da má experiência da Leyton House,
estava sem patrocinadores e tinha contratado o austríaco Karl
Wendlinger, com o dinheiro da Mercedes, e o francês Paul Belmondo,
que tinha juntado dinheiro para poder participar. Na Brabham, agora
com motor Judd, o belga Eric Van de Poele era o primeiro piloto,
com a presença invulgar da italiana Giovanna Amati, a primeira
mulher na Formula 1 em doze anos.
Três equipas não voltaram para 1992: a AGS, Lambo e a Coloni.
Contudo, esta última tinha sido vendida para um industrial
italiano, Andrea Sassetti de seu nome, e decidiu transformá-la na
Andrea Moda. Para os dois carros, tinham sido contratados dois
italianos: Alex Caffi e Enrico Bertaggia.
Chegados a Kyalami e feita a adaptação ao novo circuito, a
qualificação mostrou até que ponto a máquina melhorada da Williams
era superior à concorrência, com Mansell a ser mais veloz que
Ayrton Senna, no seu McLaren. Gerhard Berger era o terceiro da
grelha, seguido por Riccardo Patrese, enquanto que o quinto era o
Ferrari de Jean Alesi, seguido pelo Benetton de Michael Schumacher.
Karl Wendlinger era um surpreendente sétimo num March-Ilmor,
seguido pelo segundo Benetton de Martin Brundle. Ivan Capelli era o
nono e a fechar o "top ten" estava o Tyrrell do veterano Andrea de
Cesaris.
A qualificação
foi um desastre para os Andrea Moda, com Andrea Sassetti a recusar
pagar a multa de cem mil dólares imposta pela FIA, e em
consequência, os carros foram excluídos. Mas houve quatro
não-qualificados, pois eram 30 os inscritos, para 26 lugares. E os
infelizes foram o Jordan de Stefano Modena, o March de Paul
Belmondo, o Brabham de Giovana Amati e o Fondmetal de Andrea
Chiesa.
Na partida, Patrese foi suficientemente rápido para conseguir
passar os McLaren e ficar com o segundo lugar, atrás de Mansell.
Atrás, Senna era o terceiro, mas Berger teve uma má partida e fora
superado por Alesi e Schumacher. Martin Brundle, no segundo
Benetton, seria a primeira desistência do ano, encostando-se na
segunda volta com a embraiagem quebrada.
Nas voltas seguintes, o cenário não se alterou na frente, com os
Williams a afastarem-se cada vez mais do resto do pelotão,
demonstrando a sua superioridade. Somente a meio da corrida, quando
os motores de Jean Alesi e Ivan Capelli encomendaram a alma ao seu
criador, é que houve alterações na classificação.
No final das 72 voltas, Mansell era o vencedor, começando bem o
ano. Riccardo Patrese era o segundo e Ayrton Senna completava o
pódio. Nos restantes lugares pontuáveis ficavam o Benetton de
Michael Schumacher, o McLaren de Gerhard Berger e o Lotus de Johnny
Herbert.