GP Memória – Africa do Sul 1992

Por Paulo Teixeira - Nenhum comentário

Af. Sul 92 5.jpgQuatro meses após o final da temporada, em paragens australianas, a Formula 1 fazia um regresso esperado a uma velha paisagem, mas num novo ambiente: a África do Sul. Após sete anos de ausência, devido às sanções desportivas ao regime do "apartheid", o pelotão regressa a um pais em transformação, com um regime a desmoronar e uma agitada transição para uma democracia multipartidária, que iria resultar nas eleições livres que iriam acontecer dali a dois anos, em Abril de 1994.

Mas quando a formula 1 chega a Kyalami, é um circuito diferente que os espera. Parte dela, que continham as boxes, a reta da meta e curvas como a Crawthorne, tinham desaparecido para darem lugar a um complexo habitacional, e os organizadores aproveitaram parte do circuito para construir uma nova secção, de média velocidade. E isso tiraria alguma vantagem aos oito dos 32 pilotos presentes que iriam repetir a passagem por aquelas paragens.

No pelotão da Formula1, agrande noticia era que Alain Prost iria fazer uma temporada sabática, não participando naquele ano. Outros que se tinham despedido das pistas eram o japonês Satoru Nakajima, que voltara ao Japão, e Nelson Piquet, que decidira tentar a sorte na América, mais concretamente as500 Milhasde Indianápolis. E a Pirelli, devido a problemas financeiros decorrentes de mais uma recessão a nível mundial, decidira abandonar as competições, deixando a Goodyear em situação de monopólio.

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Nas duas equipas que tinham dominado boa parte da temporada anterior, McLaren e a Williams, não havia modificações no seu alinhamento: Ayrton Senna e Gerhard Berger na equipa de Woking, Nigel Mansell e Riccardo Patrese na de Grove. E a primeira ainda teria de usar o chassis antigo, pois o novo só se estrearia no Brasil, a terceira prova do ano. Já a Williams tinha a versão B do chassis FW14 pronta para estrear. Já a Ferrari, terceira força em 1991, parecia ter desenhado um chassis "revolucionário", e tinha contratado o italiano Ivan Capelli para correr ao lado do jovem Jean Alesi, agora atirado para o estatuto de primeiro piloto da Scuderia.

Na Benetton, também se apostava no jovem alemão Michael Schumacher e para o seu lugar iria um veterano, o britânico Martin Brundle. A Tyrrell tinha trocado os motores Honda pelos Ilmor, e mudara totalmente o seu alinhamento, contratando o italiano Andrea de Cesaris e o francês Olivier Grouillard. A Jordan tinha sido a grande surpresa de 1991, conseguindo o quinto lugar no Mundial de Construtores. E na temporada seguinte, tinha conseguido o acordo da Yamaha, que no ano anterior tinha estado na Brabham. Tinha uma dupla totalmente nova, constituída pelo italiano Stefano Modena e pelo brasileiro Maurício Gugelmin.

Na Ligier, a grande novidade era a troca de motor, que passou dos Lamborghini para os Renault, mantendo a dupla constituída pelo belga Thierry Boutsen e pelo francês Eric Comas. E a Footwork-Arrows tinha novo motor, os Mugen-Honda, e o veterano Michele Alboreto tinha a companhia do japonês Aguri Suzuki. A Lotus tinha trocado de motor, para os Ford HB, e estava a desenhar um novo chassis. Manteve a dupla do final do ano anterior, constituída por Johnny Herbert e pelo finlandês Mika Hakkinen, enquanto que a Larrousse voltava a ter motores Lamborghini, com uma dupla, constituída pelo belga Bertrand Gachot e por um novato, o japonês Ukyo Katayama.

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Dallara e Minardi tinham trocado de motores, com a primeira a ficar com os Ferrari que tinham pertencido à segunda na temporada anterior, enquanto que a equipa de Faenza recebia motores Lamborghini V12. Em relação a pilotos, Pierluigi Martini também tinha feito uma troca semelhante, passando para Minardi para a Dallara, para fazer companhia ao finlandês J.J. Letho. Na Minardi, o italiano Gianni Morbidelli tinha a companhia de outro estreante, o brasileiro Christian Fittipaldi, filho de Wilson e sobrinho de Emerson. E na Fondmetal, a equipa tinha-se alargado para duas viaturas, com o italiano Gabriele Tarquini a ter a companhia do suíço Andrea Chiesa.

Duas equipas que estavam em desagregação eram a March e a Brabham. A primeira, depois da má experiência da Leyton House, estava sem patrocinadores e tinha contratado o austríaco Karl Wendlinger, com o dinheiro da Mercedes, e o francês Paul Belmondo, que tinha juntado dinheiro para poder participar. Na Brabham, agora com motor Judd, o belga Eric Van de Poele era o primeiro piloto, com a presença invulgar da italiana Giovanna Amati, a primeira mulher na Formula 1 em doze anos.

Três equipas não voltaram para 1992: a AGS, Lambo e a Coloni. Contudo, esta última tinha sido vendida para um industrial italiano, Andrea Sassetti de seu nome, e decidiu transformá-la na Andrea Moda. Para os dois carros, tinham sido contratados dois italianos: Alex Caffi e Enrico Bertaggia.

Chegados a Kyalami e feita a adaptação ao novo circuito, a qualificação mostrou até que ponto a máquina melhorada da Williams era superior à concorrência, com Mansell a ser mais veloz que Ayrton Senna, no seu McLaren. Gerhard Berger era o terceiro da grelha, seguido por Riccardo Patrese, enquanto que o quinto era o Ferrari de Jean Alesi, seguido pelo Benetton de Michael Schumacher. Karl Wendlinger era um surpreendente sétimo num March-Ilmor, seguido pelo segundo Benetton de Martin Brundle. Ivan Capelli era o nono e a fechar o "top ten" estava o Tyrrell do veterano Andrea de Cesaris.

Af. Sul 92 2.jpgA qualificação foi um desastre para os Andrea Moda, com Andrea Sassetti a recusar pagar a multa de cem mil dólares imposta pela FIA, e em consequência, os carros foram excluídos. Mas houve quatro não-qualificados, pois eram 30 os inscritos, para 26 lugares. E os infelizes foram o Jordan de Stefano Modena, o March de Paul Belmondo, o Brabham de Giovana Amati e o Fondmetal de Andrea Chiesa.

Na partida, Patrese foi suficientemente rápido para conseguir passar os McLaren e ficar com o segundo lugar, atrás de Mansell. Atrás, Senna era o terceiro, mas Berger teve uma má partida e fora superado por Alesi e Schumacher. Martin Brundle, no segundo Benetton, seria a primeira desistência do ano, encostando-se na segunda volta com a embraiagem quebrada.

Nas voltas seguintes, o cenário não se alterou na frente, com os Williams a afastarem-se cada vez mais do resto do pelotão, demonstrando a sua superioridade. Somente a meio da corrida, quando os motores de Jean Alesi e Ivan Capelli encomendaram a alma ao seu criador, é que houve alterações na classificação.

No final das 72 voltas, Mansell era o vencedor, começando bem o ano. Riccardo Patrese era o segundo e Ayrton Senna completava o pódio. Nos restantes lugares pontuáveis ficavam o Benetton de Michael Schumacher, o McLaren de Gerhard Berger e o Lotus de Johnny Herbert.

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Sobre o Autor

É o "alter ego" de Paulo Alexandre Teixeira, um português que nasceu no Brasil a 12 de Julho de 1976. É jornalista de profissão, formação e convicção, com tendência para escrever compulsivamente quando o assunto é automobilismo. É solteiro, gosta do Benfica (ninguém é perfeito...), e vê Formula 1 desde 1982.

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