GP Memória – Austrália 1991

Por Paulo Teixeira - 1 Comentários

Austrália 91 4.jpgQuinze dias depois de Ayrton Senna ter conquistado o seu terceiro título mundial na pista japonesa de Suzuka, máquinas e pilotos rumavam para a Austrália, para correr a última prova do campeonato. E se com tudo resolvido no Mundial de Pilotos e de construtores, a corrida parecia não ter grande significado, logo, servia apenas para cumprir calendário, nos bastidores, uma noticia tinha atingido o paddock como uma bomba: Alain Prost tinha sido despedido da Ferrari.

As tensões entre ambos os lados estavam a crescer paulatinamente ao longo da temporada, mas a gota de água tinha acontecido após o GP do Japão, onde disse que o seu carro não tinha tido a direção desejada por ele:  "A minha Ferrari estava pior do que um camião. Assim não dá gosto em pilotar...".Para a Ferrari, tinha sido um "pecado mortal", mas também o melhor pretexto para se livrar dele antes do final do contrato, e foi isso que fizeram. Para o seu lugar veio o piloto de testes, o italiano Gianni Morbidelli.

Mas ele era piloto da Minardi naquela temporada, e para o seu lugar, a equipa de Faenza precisava de alguém. E para o seu lugar acabou por vir o brasileiro Roberto Moreno, que tinha ficado sem lugar depois de duas corridas pela Jordan, em Monza e no Estoril. Na Larrousse, para substituir o lesionado Eric Bernard, veio o belga Bertrand Gachot, agora libertado da prisão inglesa onde tivera estado a meio do ano.

Entretanto, a Benetton decidira que não iria renovar o contrato com Nelson Piquet, o que fez com que o piloto brasileiro ficasse de uma certa forma a pensar na sua continuidade na Formula 1, após catorze temporadas de bons oficios. Iria continuar a procurar por um volante competitivo para 1992, mas sabendo ele que tinha agora 39 anos, muito provavelmente as hipóteses de tal acontecer eram diminutas. Aquele GP da Austrália bem poderia ser a sua última corrida da sua carreira…

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Na Coloni, o japonês Naoki Hattori continuava a correr na equipa, mas havia novidades. Um empresário italiano, de seu nome Andrea Sassetti, tinha adquirido a equipa e iria correr com um novo nome, a Andrea Moda, e decidira que iria correr com dois carros, em vez do único carro que corria ao longo desta temporada. Mas na sua última corrida como Coloni, o carro ficaria a quase cinco segundos do último lugar disponível, o do Footwork de Michele Alboreto. Hattori fazia companhia ao Fondmetal de Gabriele Tarquini, enquanto que os Brabham de Martin Brundle e de Mark Blundell, mais o segundo Footwork de Alex Caffi, passariam para a fase seguinte.

 No final das duas sessões de qualificação, Ayrton Senna tinha sido o melhor, 344 centésimos à frente de Gerhard Berger, numa primeira fila toda da McLaren. Nigel Mansell era o terceiro, seguido do seu companheiro de equipa, Riccardo Patrese. No quinto posto estava Nelson Piquet, que conseguira superar o seu companheiro de equipa, Michael Schumacher, o sexto classificado. Outra parelha acontecia na quarta fila, com a Ferrari,em que JeanAlesiera mais rápido do que o seu novo companheiro, Gianni Morbidelli. E a fechar o "top ten" estavam o Tyrrell de Stefano Modena e o Minardi de Pierluigi Martini.

Dos trinta que treinaram, iram haver quatro infelizes que iriam ver a corrida das boxes, dado que apenas 26 carros eram permitidos correr. E esses infelizes foram os Lolas de Bertrand Gachot e Aguri Suzuki, o Lambo de Eric van de Poele e o Brabham-Jedd de Martin Brundle.

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A 3 de Novembro, o dia da corrida, o tempo estava nublado e na hora anterior à corrida, começou a chover copiosamente na pista. Apesar das crescentes preocupações dos pilotos, a organização decidiu que a corrida iria começar na hora marcada, independentemente da pista começar a estar alagada em alguns pontos, e da chuva ameaçar aumentar ainda mais. Quando este começou, Senna foi para a frente, com Berger e Mansell logo atrás, e Patrese a perder duas posições por ter escorregado no piso molhado.

Na terceira volta, Berger perdeu o controlo e saiu largo numa curva, deixando que Mansell subisse ao segundo lugar e fosse atrás de Senna. O britânico começou a aproximar-se, mas a partir da volta quatro, os incidentes começavam a acontecer, com o primeiro desistente a ser o japonês Satoru Nakajima, na sua última corrida na Formula1. Apartir da volta seguinte, começou-se a ver os efeitos da chuva, pois em plena reta Brabham, o Ferrari de Alesi perde o controle e bate no muro, metros depois do Lambo de Larini, que também tinha tido o mesmo problema. Havia então uma única trajetória mans pequena, e por causa disso, impedia Mansell de atacar Senna pela liderança da corrida, devido aos destroços que começavam a aparecer por ali. Instantes depois, o Ligier de Thierry Boutsen e o Benetton de Michael Schumacher também acabam ali a corrida, vitimas da chuva. 

Três voltas depois, o Minardi de Pierluigi Martini também era outra vitima da chuva, ao perder a aderência do seu carro em plena reta Brabham. Por causa disso, pedaços do seu carro ficaram espalhados pela pista, e um desses pedaços ficou por baixo do carro de Patrese, prejudicando a sua corrida. E então, a chuva começou a se intensificar, tornando o "spray" que os carros largavam ainda maior e a visibilidade cada vez mais diminuta.

Na volta 14, Mansell perde de súbito o controle do seu carro na Curva Wakefield, batendo forte contra o muro, e tende de ser tirado do seu carro pelos paramédicos e levado ao hospital devido a queixas de dores nas costas. O acidente também causou o despiste de Michele Alboreto, no seu Footwork-Arrows, que ficou parado na pista, numa posição relativamente perigosa. Mais adiante, Piquet também perdia o controlo do seu carro, mas continuou.

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Quando Senna passou pela meta na volta 15, começou a sinalizar aos comissários de que as condições estavam a ser horríveis, e era altura de parar. Mas somente quando Senna entrava na sua 17ª volta é que os comissários mostraram a bandeira vermelha, sinal de interrupção da corrida. Nessa altura, Senna liderava com Piquet em segundo e o Ferrari de Morbidelli em terceiro, na frente dos Jordan de Andrea de Cesaris e Alex Zanardi. Contudo, com a corrida interrompida, somente se contabilizou a partir da volta 14, ainda com Mansell na pista.

A partir dali, os pilotos e os oficiais da pista estiveram a dialogar sobre as condições de pista. Os pilotos não queriam continuar, mas a organização desejava que o espectáculo continuasse, mesmo com a chuva a cair copiosamente. Chegou-se até a haver um aviso de dez minutos, algo que fez revoltar Senna e Patrese, que chegaram a invadir a cabina da organização para os pressionar para cancelar a corrida. No final, depois de mais de uma hora de atraso e vendo que a chuva não parava, o diretor de corrida da FIA, o belga Roland Bruynseraede decidiu cancelar a corrida de vez, com os pilotos a receberem metade dos pontos, pois menos de 75 por cento da corrida tinha sido cumprida.

 No pódio estavam Ayrton Senna como vencedor, mas Nigel Mansell, o segundo classificado, não podia estar presente devido ao fato de ter ido para ao hospital para ser observado devido às dores sofridas na sua colisão na volta 14. Gerhard Berger era o terceiro e nos restantes lugares pontuáveis estavam o Benetton de Nelson Piquet, o Williams de Riccardo Patrese e o Ferrari de Gianni Morbidelli, que conquistava aqui o seu primeiro… meio ponto.

 Na conferência de imprensa do final da corrida, Senna disse o que achava das condições da pista naquele momento:

Não creio que aquilo era uma corrida, era apenas uma questão de se manterem pista. Nascondições em que corremos era impossível continuar assim! Tivemos algo semelhante dois anos antes, mas desta vez era bastante pior.

 Nigel Mansell acrescentou mais criticas ao estado da pista, dizendo depois que:

foi uma verdadeira comédia, porque havia pedaços de carros por toda a parte.

 E tinha durando apenas vinte e cinco minutos a última corrida da temporada de 1991, que passaria para a história como a corrida mais curta de sempre na história da Formula 1, e também uma das mais chuvosas. E também para alguns pilotos, iria ser também a última vez que alinhariam num Formula 1, como Nelson Piquet, que depois de algumas semanas a falar com a Ligier, decidiu que iria fazer como Emerson Fittipaldi e tentar a sua sorte nos Estados Unidos.

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Sobre o Autor

É o "alter ego" de Paulo Alexandre Teixeira, um português que nasceu no Brasil a 12 de Julho de 1976. É jornalista de profissão, formação e convicção, com tendência para escrever compulsivamente quando o assunto é automobilismo. É solteiro, gosta do Benfica (ninguém é perfeito...), e vê Formula 1 desde 1982.

1 Comentário on "GP Memória – Austrália 1991"

  1. Roberto Lobão sexta-feira, 4 de novembro de 2011 11:59:57

    Lembro-me muito bem daquela madrugada, aqui no Brasil, e do show de acidentes que acabou sendo aquela corrida. Sempre achei que se a pista de Adelaide fosse um autódromo mesmo, e não um circuito de rua como era, a drenagem seria melhor e quem sabe aquela corrida poderia ser bem mais interessante e chegar até o fim.

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