Quinze dias depois de Ayrton
Senna ter conquistado o seu terceiro título mundial na pista
japonesa de Suzuka, máquinas e pilotos rumavam para a Austrália,
para correr a última prova do campeonato. E se com tudo resolvido
no Mundial de Pilotos e de construtores, a corrida parecia não ter
grande significado, logo, servia apenas para cumprir calendário,
nos bastidores, uma noticia tinha atingido o paddock como uma
bomba: Alain Prost tinha sido despedido da Ferrari.
As tensões entre ambos os lados estavam a crescer paulatinamente
ao longo da temporada, mas a gota de água tinha acontecido após o
GP do Japão, onde disse que o seu carro não tinha tido a direção
desejada por ele: "A minha Ferrari estava pior do que um
camião. Assim não dá gosto em pilotar...".Para a Ferrari, tinha
sido um "pecado mortal", mas também o melhor pretexto para se
livrar dele antes do final do contrato, e foi isso que fizeram.
Para o seu lugar veio o piloto de testes, o italiano Gianni
Morbidelli.
Mas ele era piloto da Minardi naquela temporada, e para o seu
lugar, a equipa de Faenza precisava de alguém. E para o seu lugar
acabou por vir o brasileiro Roberto Moreno, que tinha ficado sem
lugar depois de duas corridas pela Jordan, em Monza e no Estoril.
Na Larrousse, para substituir o lesionado Eric Bernard, veio o
belga Bertrand Gachot, agora libertado da prisão inglesa onde
tivera estado a meio do ano.
Entretanto, a Benetton decidira que não iria renovar o contrato
com Nelson Piquet, o que fez com que o piloto brasileiro ficasse de
uma certa forma a pensar na sua continuidade na Formula 1, após
catorze temporadas de bons oficios. Iria continuar a procurar por
um volante competitivo para 1992, mas sabendo ele que tinha agora
39 anos, muito provavelmente as hipóteses de tal acontecer eram
diminutas. Aquele GP da Austrália bem poderia ser a sua última
corrida da sua carreira…
Na Coloni, o japonês Naoki Hattori continuava a correr na
equipa, mas havia novidades. Um empresário italiano, de seu nome
Andrea Sassetti, tinha adquirido a equipa e iria correr com um novo
nome, a Andrea Moda, e decidira que iria correr com dois carros, em
vez do único carro que corria ao longo desta temporada. Mas na sua
última corrida como Coloni, o carro ficaria a quase cinco segundos
do último lugar disponível, o do Footwork de Michele Alboreto.
Hattori fazia companhia ao Fondmetal de Gabriele Tarquini, enquanto
que os Brabham de Martin Brundle e de Mark Blundell, mais o segundo
Footwork de Alex Caffi, passariam para a fase seguinte.
No final das duas sessões de qualificação, Ayrton Senna
tinha sido o melhor, 344 centésimos à frente de Gerhard Berger,
numa primeira fila toda da McLaren. Nigel Mansell era o terceiro,
seguido do seu companheiro de equipa, Riccardo Patrese. No quinto
posto estava Nelson Piquet, que conseguira superar o seu
companheiro de equipa, Michael Schumacher, o sexto classificado.
Outra parelha acontecia na quarta fila, com a Ferrari,em que
JeanAlesiera mais rápido do que o seu novo companheiro, Gianni
Morbidelli. E a fechar o "top ten" estavam o Tyrrell de Stefano
Modena e o Minardi de Pierluigi Martini.
Dos trinta que treinaram, iram haver quatro infelizes que iriam
ver a corrida das boxes, dado que apenas 26 carros eram permitidos
correr. E esses infelizes foram os Lolas de Bertrand Gachot e Aguri
Suzuki, o Lambo de Eric van de Poele e o Brabham-Jedd de Martin
Brundle.

A 3 de Novembro, o dia da corrida, o tempo estava nublado e na
hora anterior à corrida, começou a chover copiosamente na pista.
Apesar das crescentes preocupações dos pilotos, a organização
decidiu que a corrida iria começar na hora marcada,
independentemente da pista começar a estar alagada em alguns
pontos, e da chuva ameaçar aumentar ainda mais. Quando este
começou, Senna foi para a frente, com Berger e Mansell logo atrás,
e Patrese a perder duas posições por ter escorregado no piso
molhado.
Na terceira volta, Berger perdeu o controlo e saiu largo numa
curva, deixando que Mansell subisse ao segundo lugar e fosse atrás
de Senna. O britânico começou a aproximar-se, mas a partir da volta
quatro, os incidentes começavam a acontecer, com o primeiro
desistente a ser o japonês Satoru Nakajima, na sua última corrida
na Formula1. Apartir da volta seguinte, começou-se a ver os efeitos
da chuva, pois em plena reta Brabham, o Ferrari de Alesi perde o
controle e bate no muro, metros depois do Lambo de Larini, que
também tinha tido o mesmo problema. Havia então uma única
trajetória mans pequena, e por causa disso, impedia Mansell de
atacar Senna pela liderança da corrida, devido aos destroços que
começavam a aparecer por ali. Instantes depois, o Ligier de Thierry
Boutsen e o Benetton de Michael Schumacher também acabam ali a
corrida, vitimas da chuva.
Três voltas depois, o Minardi de Pierluigi Martini também era
outra vitima da chuva, ao perder a aderência do seu carro em plena
reta Brabham. Por causa disso, pedaços do seu carro ficaram
espalhados pela pista, e um desses pedaços ficou por baixo do carro
de Patrese, prejudicando a sua corrida. E então, a chuva começou a
se intensificar, tornando o "spray" que os carros largavam ainda
maior e a visibilidade cada vez mais diminuta.
Na volta 14, Mansell perde de súbito o controle do seu carro na
Curva Wakefield, batendo forte contra o muro, e tende de ser tirado
do seu carro pelos paramédicos e levado ao hospital devido a
queixas de dores nas costas. O acidente também causou o despiste de
Michele Alboreto, no seu Footwork-Arrows, que ficou parado na
pista, numa posição relativamente perigosa. Mais adiante, Piquet
também perdia o controlo do seu carro, mas continuou.
Quando Senna passou pela meta na volta 15, começou a sinalizar
aos comissários de que as condições estavam a ser horríveis, e era
altura de parar. Mas somente quando Senna entrava na sua 17ª volta
é que os comissários mostraram a bandeira vermelha, sinal de
interrupção da corrida. Nessa altura, Senna liderava com Piquet em
segundo e o Ferrari de Morbidelli em terceiro, na frente dos Jordan
de Andrea de Cesaris e Alex Zanardi. Contudo, com a corrida
interrompida, somente se contabilizou a partir da volta 14, ainda
com Mansell na pista.
A partir dali, os pilotos e os oficiais da pista estiveram a
dialogar sobre as condições de pista. Os pilotos não queriam
continuar, mas a organização desejava que o espectáculo
continuasse, mesmo com a chuva a cair copiosamente. Chegou-se até a
haver um aviso de dez minutos, algo que fez revoltar Senna e
Patrese, que chegaram a invadir a cabina da organização para os
pressionar para cancelar a corrida. No final, depois de mais de uma
hora de atraso e vendo que a chuva não parava, o diretor de corrida
da FIA, o belga Roland Bruynseraede decidiu cancelar a corrida de
vez, com os pilotos a receberem metade dos pontos, pois menos de 75
por cento da corrida tinha sido cumprida.
No pódio estavam Ayrton Senna como vencedor, mas Nigel
Mansell, o segundo classificado, não podia estar presente devido ao
fato de ter ido para ao hospital para ser observado devido às dores
sofridas na sua colisão na volta 14. Gerhard Berger era o terceiro
e nos restantes lugares pontuáveis estavam o Benetton de Nelson
Piquet, o Williams de Riccardo Patrese e o Ferrari de Gianni
Morbidelli, que conquistava aqui o seu primeiro… meio ponto.
Na conferência de imprensa do final da corrida, Senna
disse o que achava das condições da pista naquele momento:
Não creio que aquilo era uma corrida, era apenas uma
questão de se manterem pista. Nascondições em que corremos era
impossível continuar assim! Tivemos algo semelhante dois anos
antes, mas desta vez era bastante pior.
Nigel Mansell acrescentou mais criticas ao estado da
pista, dizendo depois que:
foi uma verdadeira comédia, porque havia pedaços de
carros por toda a parte.
E tinha durando apenas vinte e cinco minutos a última
corrida da temporada de 1991, que passaria para a história como a
corrida mais curta de sempre na história da Formula 1, e também uma
das mais chuvosas. E também para alguns pilotos, iria ser também a
última vez que alinhariam num Formula 1, como Nelson Piquet, que
depois de algumas semanas a falar com a Ligier, decidiu que iria
fazer como Emerson Fittipaldi e tentar a sua sorte nos Estados
Unidos.