Depois de passagens por Melbourne e Sepang, a Formula 1 ia para
o circuito brasileiro de Interlagos, palco da terceira prova do
campeonato do mundo, onde parecia que a competição ia a caminho do
equilíbrio, depois de uma vitória de Michael Schumacher na
Austrália e do seu irmão na Malásia.
A grande novidade no pelotão era o fato da Ferrari estrear por
ali o seu novo carro, o F2002, que estaria nas mãos de Michael
Schumacher, com Rubens Barrichello a guiar o carro mais antigo,
pois havia apenas um chassis disponível.
A qualificação foi bem disputada, especialmente entre os
Michelin e os Bridgestone, e o melhor foram os Williams-BMW de Juan
Pablo Montoya, calçado com pneus da marca francesa, conseguiu
superar por 127 centésimos o Ferrari de Michael Schumacher, que
calçava pneus Bridgestone. Ralf Schumacher, vencedor na Malásia,
era o terceiro, seguido pelo McLaren-Mercedes de David Coulthard.
Kimi Raikkonen era o quinto, na frente dos Renault de Jarno Trulli
e Jenson Button. Rubens Barrichello era apenas o oitavo, enquanto
que a fechar o "top ten" estavam o Sauber-Petronas de Nick Heidfeld
e o Toyota de Mika Salo.
O "warm up" ficou
marcado por um acidente tão bizarro como potencialmente fatal.
Quando o Arrows de Enrique Bernoldi bate forte na Curva 2, o carro
fica imobilizado no meio da pista e o Medical Car, um Mercedes
guiado por Alex Dias Ribeiro e que levava o Professor Sid Watkins,
pára ao seu lado para o socorrer. Ele abre a porta no preciso
momento em que Heidfeld aparece a toda a velocidade no seu Sauber,
indo para a esquerda e dando cabo da porta do condutor, ainda com
Dias Ribeiro dentro do veículo. Por sorte, ninguém ficou
ferido.
A corrida começa
com Montoya e Schumacher a discutirem o primeiro lugar no S de
Senna, com o alemão a levar a melhor sobre ele, e metros mais
adiante, ele tentou voltar à frente da corrida na Descida do Lago,
mas o alemão defende-se e toca no bico do colombiano, desfazendo-o
e o obrigando a voltar às boxes para fazer a troca, caindo para o
último lugar.
Com isto, Schumacher afastou-se da
concorrência, com Rubens Barrichello a tentar recuperar posições,
passando quer ambos os McLaren, quer depois a atacar o Williams de
Ralf Schumacher e o passar. Mas na volta 16, quando se aproximava
de Michael Schumacher, um problema hidráulico o faz desistir pela
terceira corrida consecutiva.
Sem a ameaça do seu
companheiro de equipa, Schumacher liderou calmamente a corrida até
à bandeira de xadrez, enquanto que atrás, Montoya fazia uma
recuperação notável até chegar à zona dos pontos, enquanto que os
Renault andavam a lutar pelo lugar mais baixo do pódio com os
McLaren, apesar da desistência de Jarno Trulli devido a problemas
de motor, na volta 60.
No final, Schumacher vencia pela segunda vez na temporada, e
parecia estar a disparar rumo a mais um título. Ralf Schumacher era
o segundo e o McLaren de David Coulthard completava o pódio. Nos
restantes lugares pontuáveis ficavam o Renault de Jenson Button, o
Williams de Juan Pablo Montoya e o Toyota de Mika Salo.