
Três meses depois do mundo ter visto Nelson Piquet ter vencido o
seu campeonato do mundo no parque de estacionamento do Ceasar's
Palace, em Las Vegas, maquinas e pilotos estavam de novo reunidos
em Kyalami, nos arredores de Joanesburgo, para disputar a prova
inaugural do Mundial de 1982.
A curta pré-temporada tinha mostrado que a Brabham, campeã do
mundo, preprarava para aderir ao motor Turbo, fazendo um acordo com
a montadora alemã BMW, e fazendo com que Gordon Murray desenhasse
um novo chassis, o BT50. Nelson Piquet, o novo campeão do mundo,
tinha um novo companheiro de equipa, o italiano Riccardo Patrese,
vindo da Arrows.
A sua grande rival, a Williams, tinha perdido Alan Jones, que se
decidira reformar-se, e para o seu lugar tinha vindo o finlandês
Keke Rosberg. Carlos Reutemann tinha ficado, mas só depois de muita
persuasão da parte de Frank Williams. Mas o argentino, ainda
magoado com o tratamento que a Williams lhe tinha dado no ano
anterior, estava relutante. A McLaren, que estava a evoluir o seu
chassis MP4-1 de fibra de carbono, tinha conseguido convencer Niki
Lauda a regressar à formula 1 e isso tinha atraído as atenções da
imprensa especializada. Ao seu lado iria estar John Watson, e assim
repetiam a dupla da Brabham quatro anos antes, em 1978.
Lotus, Renault e Ferrari mantiveram as suas duplas da temporada
anterior. A equipa de Colin Chapman tinha Elio de Angelis e Nigel
Mansell, a marca francesa tinha René Arnoux e Alain Prost, e a
Scuderia corria com Gilles Villeneuve e Didier Pironi.
Na Ligier, o americano Eddie Cheever entrava e ficava ao lado de
Jacques Laffite, enquanto que na Alfa Romeo, Andrea de Cesaris
entrava para o lugar de Mário Andretti, que decidira regressar aos
Estados Unidos para correr na novata CART. Ao seu lado ficava Bruno
Giacomelli. Na Tyrrell, Michele Alboreto ficava, enquanto que ao
seu lado estava o sueco Slim Borgudd, vindo da Arrows.
A Arrows tinha uma dupla totalmente nova, constituída pelo
novato Mauro Baldi e pelo suíço Marc Surer. Contudo, este sofre
novo acidente e é substituído por Brian Henton, que veio da
Toleman. E a ATS tinha alargado a sua equipa para dois carros,
cabendo lá um novato, o alemão Manfred Winkelhock e o chileno
Eliseo Salazar, ex-Ensign. Ma March estava também outro novato, o
brasileiro Raul Boesel, que tinha a seu lado o veterano alemão
Jochen Mass, e tinham o patrocínio de peso da Rothmans.
A Osella estava com o veterano Jean-Pierre Jarier e outro
novato, o italiano Riccardo Paletti, que tinha subido a bordo com o
grosso patrocínio da Pioneer. Na Toleman, Derek Warwick ficava na
equipa, enquanto que era contratado outro novato, o italiano Teo
Fabi.
Três equipas alinhavam em 1982 com um só carro: a Ensign tinha
contratado um jovem colombiano, Roberto Guerrero, enquanto que a
Fittipaldi, já aflita em dinheiro, reduzira as operações para um
carro, e mantinha o brasileiro Chico Serra. Outra equipa com um
carro era a Theodore, que era guiado pelo irlandês Derek Daly.

Após três dias agitados, com ameaças de greve s suspensões por
parte da FISA e da FOCA, e que colocaram em risco o Grande Prémio
(ver peça à parte), ambas as partes decidiram na manhã de
sexta-feira - a corrida era no sábado - enterrar temporariamente o
machado de guerra e correr. No final da única sessão de
qualificação, Arnoux era o "poleman", com Nelson Piquet no segundo
lugar no seu Brabham- BMW. A segunda fila tinha o Ferrari de
Gilles Villeneuve, seguido pelo segundo Brabham-BMW de Riccardo
Patrese, enquanto que na terceira estava o Renault de Alain Prost e
o segundo Ferrari de Didier Pironi. O primeiro não-turbo aparecia
no sétimo posto, com o Williams de Keke Rosberg, que conseguira
bater o seu companheiro de equipa, Carlos Reutemann. A fechar o
"top ten" estavam o McLaren de John Watson e o Tyrrell de Michele
Alboreto.
Niki Lauda tinha conseguido o 13º tempo na sua corrida de
regresso, à frente do Toleman de Warwick.
Vinte e seis carros foram admitidos na grelha de partida de
Kyalami, mas estavam trinta carros inscritos, logo, quatro ficariam
de fora. Os infelizes contemplados foram os Arrows de Baldi e
Henton, o Toleman de Teo Fabi e o Osella de Riccardo Paletti.
Na partida, Arnoux dispara na frente, enquanto que Piquet é
"engolido" pelo pelotão, com Prost em segundo, seguido pelos
Ferrari de Villeneuve e Pironi. Keke Rosberg era o quinto, atrás
dos Brabham e de Reutemann. Pouco depois, na terceira volta, Piquet
despistava-se com problemas de travões, e na sexta, era a vez do
motor do Ferrari de Villeneuve a explodir.
Na frente, Arnoux e Prost rolavam juntos na primeira e segunda
posições, mas na volta 14, quando o primeiro francês apanhou
pilotos atrasados, Prost proveitou a deixa e passou para a
liderança, com Pironi e Patrese logo atrás. Na volta 18, o segundo
Brabham do italiano desaparecia com uma coluna de fumo, e pouco
depois, na volta 24, Pironi mete pneus novos, numa operação que
dura demasiado tempo, o que faz mergulhar para o meio do
pelotão.
A partir daqui, as coisas estabilizam-se, com os Renault de
Prost e Arnoux na frente, seguidos agora por Reutemann e Rosberg,
nos seus Williams, e os McLaren de Watson e Lauda. Atrás, Pironi
fazia uma corrida de recuperação, que deu o suficiente para chegar
aos pontos na volta 41, passando Lauda.

Por essa altura, Prost parava nas boxes para trocar de pneus, e
a sua prestação tinha sido lenta. O francês trabalhou a sua
recuperação, e esta foi ainda mais impressionante do que a de
Pironi. Com pneus novos, aumentou o seu ritmo e passou os
concorrentes, um por um. Pironi, por esta altura, já tinha chegado
ao segundo posto, mas Prost vinha mais atrás, determinado a apanhar
toda a gente. Conseguiu ultrapassar o seu compatriota da Ferrari e
foi atrás de Arnoux até o apanhar, a dez voltas do fim, para ficar
com a liderança.
Pouco depois, Arnoux teve de poupar as mecânicas para chegar ao
fim e foi ultrapassado pelo Williams do veterano Reutemann, para
ficar com o segundo lugar, enquanto que a cavalgada de Pironi
acabava a quatro voltas do fim, com problemas de motor.
Quando Prost cortou a meta na primeira posição, tinha
demonstrado não só que era um piloto rápido, como os Renault eram a
força a ter em conta para o título mundial, com o veterano
Reutemann a chegar no segundo posto. Arnoux completava o pódio,
enquanto que nos restantes lugares pontuáveis ficava o regressado
Niki Lauda, quarto no seu McLaren e a demonstrar toda a sua forma,
enquanto que Keke rosberg era o quinto e John Watson o sexto.
A Formula 1 iria descansar seis semanas até Buenos Aires, palco
do Grande Prémio da Argentina, mas até lá, pilotos e FISA tinham de
resolver o grande problema que estava em suspenso, que eram as
Super-Licenças.